O gás de cozinha, ou GLP, é um dos insumos mais importantes para a população, estando no mesmo patamar de água encanada e energia elétrica. Os aumentos constantes do produto ligam o sinal de alerta, visto que acaba por afetar o bem-estar de inúmeras famílias com menores capacidades financeiras e que sofrem para ter uma vida digna. O sistema de reajuste de preços adotado pela Petrobras precisa ser revisto, como forma de dar melhores condições e estabilidade a quem se encontra em situação de maior vulnerabilidade social.
A Petrobras anunciou nesta semana reajuste médio de 5% no valor do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), tanto industrial quanto residencial. Como aponta reportagem publicada na edição de ontem da Tribuna, o preço do produto vai ficar R$ 3 mais caro para os consumidores da região. Eles deverão pagar, em média, R$ 68 para retirar na loja e R$ 73 para entregar.
Na nova política de preços de GLP, adotada em agosto, os reajustes passam a ser realizados sem periodicidade definida, de acordo com as condições de mercado e da análise dos ambientes interno e externo. A estatal informou que os preços praticados pela companhia passarão a adotar como referência o preço de paridade de importação (PPI), similar ao do GLP industrial/comercial, que inclui o preço do GLP no mercado internacional (Golfo do México, por exemplo) acrescido dos custos do frete marítimo, despesas internas de transporte e uma margem para remuneração dos riscos inerentes à operação.
Por mais que o mercado seja balizador em termos de política de preços em um cenário de economia livre, alguns produtos devem ser encarados com mais atenção pelo Governo, por serem de alta relevância social e de primeira necessidade, influindo diretamente no bem-estar da população. Ainda mais quando a Petrobras, estatal, detém o monopólio de exploração do gás. Os preços sobem, mas o poder de compra do brasileiro, sobretudo o mais pobre, na melhor das hipóteses se mantém o mesmo na maior parte do ano. Políticas eficientes para redução da desigualdade social devem ser um dos principais pilares de qualquer administração pública no Brasil. Enquanto este problema não se resolve, é necessário dar condições para que todos possam viver com dignidade.