A Operação Lava Jato deve atingir um outro patamar com a delação premiada de 80 executivos da Odebrecht. Os acordos estão sendo assinados e prometem implodir o Congresso Nacional. Segundo as primeiras informações, pelo menos 200 políticos devem ser citados nos depoimentos. Todos estariam envolvidos em escândalos de corrupção que perduram há anos no país.
Principal empreiteira brasileira, a Odebrecht mantinha acordos com políticos e dirigentes de estatais que lhe garantiram por anos e anos acesso a contratos milionários de obras públicas. O castelo da empresa desmoronou a partir da Lava Jato. O empresário Marcelo Odebrecht, herdeiro e ex-presidente do grupo, está preso desde junho do ano passado. Ele já assinou acordo de delação premiada e continuará preso pelo menos até o final de 2017, segundo acordo que está sendo costurado por seus advogados. Marcelo Odebrecht foi por muito tempo um dos homens mais ricos e influentes do país.
Entre os políticos citados até agora estão pesos-pesados da política nacional, começando pelo próprio presidente da República, Michel Temer (PMDB), que teria recebido da Odebrecht R$ 10 milhões para a campanha em 2014. Temer diz que doações foram declaradas.
Além de Temer, são citados José Serra, ministro das Relações Exteriores; Moreira Franco, secretário do Programa de Parcerias de Investimentos; Geddel Viera Lima, ministro da Secretaria de Governo; Romero Jucá, senador (PMDB-RR); Lula, ex-presidente da República (PT); João Santana, marqueteiro do PT, e Guido Mantega (PT), ex-ministro da Fazenda, entre outros.
A delação de executivos da Odebrecht é fundamental. Apesar da sua importância importância econômica, a empreiteira provocou danos ao país ao montar um esquema de corrupção. O pagamento de propinas foi institucionalizado no governo federal. Esse dinheiro saía do superfaturamento de obras públicas. O esquema era sustentado por políticos dos mais diversos partidos e também por dirigentes e detentores de cargos públicos que viabilizam fraudes em licitações para beneficiar a Odebrecht, mas também outras empresas que se consorciavam nos crimes ao patrimônio público.
A Operação Lava Jato está passando a limpo anos e anos de corrupção no governo federal. É preciso seguir adiante e apresentar à sociedade os envolvidos nesses esquemas fraudulentos, que tanto sangraram os cofres públicos. Enquanto a Odebrecht e outras empreiteiras superfaturavam obras, pagando propinas, o cidadão mais pobre tinha que enfrentar a falta de vagas em hospitais, o desemprego, a violência, a ausência de saneamento básico... Não há crime maior do que a corrupção, que tira das pessoas humildes o direito a uma vida digna.