A Petrobras anunciou no último dia 14 a redução dos preços dos combustíveis, ao apresentar uma nova política para o setor no país. Esta seria a primeira redução de preços da gasolina e do diesel em sete anos. Uma semana depois, no entanto, nada mudou nos postos de Apucarana, conforme pesquisa feita pela Tribuna anteontem.
Os motoristas, que já não estavam muito animados, estão frustrados. Não poderia ser diferente. Segundo estimativa divulgada pela Petrobras na semana passada, se a redução aplicada na refinaria (de 2,7% no diesel e de 3,2% na gasolina) fosse integralmente repassada ao consumidor final, o diesel poderia cair 1,8%, ou R$ 0,05 por litro, e a gasolina pode cair 1,4%, também R$ 0,05 por litro.
A redução dos preços, portanto, seria tímida. No entanto, representaria algum alívio ao menos após anos e anos de altas consecutivas nos combustíveis. No entanto, chama atenção essa demora. A explicação dos postos de combustíveis é de que as distribuidoras ainda não repassaram o reajuste. Por isso, os preços continuam os mesmos nas bombas. Isso estaria ocorrendo porque há ainda estoques de gasolina e diesel com os preços antigos. Somente com as novas levas de combustível das refinarias é que esta revisão de preços seria aplicada.
Esse argumento não deixa de ser curioso. Afinal, o motorista de boa memória lembra que nos últimos reajustes de preços as mudanças nas bombas eram praticamente instantâneas. O governo anunciava o aumento do preço da gasolina em uma terça-feira à noite, por exemplo, e já na manhã de quarta-feira o índice era aplicado nos postos de combustíveis. Não havia essa de “há estoques com o preço antigo”.
É indiscutível que a questão dos combustíveis exige uma melhor explicação do governo. Por isso, é bem vinda essa revisão da política de preços. O preço da gasolina está há 12 meses mais alto no Brasil em relação à média internacional, considerando o valor nas refinarias, sem impostos. Isso acontece porque, diferentemente do mercado internacional, a Petrobras fixava os preços dos combustíveis de acordo com critério próprio e também do governo, que é controlador da empresa. O argumento é que, assim, a empresa evita transmitir volatilidade ao consumidor – o preço não sobe e desce o tempo todo. Por esse motivo, o preço do combustível no Brasil não varia de acordo com as oscilações do valor do barril de petróleo no mercado internacional.
A expectativa é que essa nova política traga benefícios para o consumidor realmente e que a redução dos preços chegue de fato às bombas. Essa primeira experiência, infelizmente, acabou sendo frustrante até agora.