A saída da presidente Dilma Rousseff (PT) foi recebida com alívio por grande parte dos brasileiros, principalmente pela indústria. A petista levou o país à recessão e ao desemprego, fragilizando a economia de tal forma que o impeachment foi comemorado como título de Copa do Mundo.
A simples troca pelo então vice Michel Temer (PMDB), porém, não resolverá o problema brasileiro como passe de mágica. É claro que o impeachment – que ainda precisa ser confirmado pelo Senado – renovou a esperança e o otimismo. Alguns indicadores e pesquisas já comprovam esse sentimento mais positivo em relação ao futuro. Há, sim, um aspecto psicológico inerente.
No entanto, há muito trabalho a fazer. A equipe econômica designada por Temer – comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles – anunciou as primeiras medidas para conter o rombo fiscal do país e reequilibrar as finanças nacionais. A nova meta fiscal, que prevê déficit de R$ 170,5 bilhões para este ano, foi aprovada pelo Congresso e demonstra em números o tamanho do desafio.
Serão necessários esforços do governo e da sociedade para recolocar o país nos trilhos. Não há uma fórmula milagrosa, mas é inegável a necessidade de um remédio amargo. Sem um ajuste drástico, será impossível fazer o país voltar a crescer e ter competitividade.
A indústria vem sendo penalizada e, consequentemente, o trabalhador. O desemprego disparou nos últimos anos. Quem mantém-se empregado, precisa conviver com readequações salariais. Na quinta-feira, a Tribuna trouxe reportagem mostrando ainda que as negociações salariais estão cada vez mais complexas. Nas convenções coletivas, os sindicatos dos trabalhadores estão se contentando apenas com a reposição da inflação. Ou seja, o “ganho real” não entra nas tratativas devido à crise econômica nacional.
Em abril, o País fechou 97.828 vagas de emprego formais, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foi o pior resultado para meses de abril desde 1992, quando tem início a série histórica do ministério. Naquele ano, foram cortadas 63.175 vagas no mês. Em abril de 2014, foram criadas 105 mil vagas.
A situação, portanto, é muito grave. O Brasil está à beira do precipício e Dilma não tinha a mínima condição política e capacidade de gestão para recolocar o país no prumo. Cabe, agora, a Temer ter a sensibilidade de encontrar o caminho correto. Algumas medidas impopulares serão inevitáveis, embora será preciso dosar o remédio para não errar também na medida e acabar piorando a situação.