Apucarana recebeu na última quarta-feira o curso “Aprendendo e...Vivendo!”, desenvolvido pelas seis Escolas de Trânsito do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR). Mais de 1,3 mil alunos do 5º ano do ensino fundamental de todas as escolas municipais participaram pela primeira vez das atividades teóricas e práticas relativas à segurança e à educação no trânsito.
Esse projeto merece ser destacado, pois ajuda a formar cidadãos mais conscientes no trânsito. Educar os futuros motoristas, pedestres e ciclistas deveria ser uma política pública no país, diante do quadro de violência registrado atualmente nas ruas e rodovias.
As estatísticas mostram que é preciso intervir, apostando em ações que visam reduzir os casos de mortes no trânsito. Por ano, 45 mil pessoas perdem a vida em acidentes no país, segundo dados do Ministério da Saúde. O Brasil é o quarto com maior número de mortes no trânsito na América, atrás apenas de Belize, República Dominicana e Venezuela (que lidera esse ranking). São 23,4 mortes no trânsito para cada 100 mil habitantes, segundo estimativas recentes divulgadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Os motociclistas são as principais vítimas. Somente em 2013, as ocorrências com motociclistas resultaram em 12.040 mortes, o que corresponde a 28% dos mortos no transporte terrestre. Nos últimos seis anos, as internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) envolvendo motociclistas aumentaram 115% e o custo com o atendimento a esses pacientes registrou alta de 170,8%.
Esses números são alarmantes, ainda mais quando está comprovado que as falhas humanas estão por trás da maioria desses acidentes com vítimas fatais. São motoristas, ciclistas, motociclistas e pedestres que se comportam de forma inadequada nas ruas e rodovias no país. Por isso, a importância de conscientizar a população a adotar uma postura mais consciente e respeitosa. Esse é o único caminho para reduzir as ocorrências.
Essas escolas de trânsito servem de inspiração. É preciso ampliar as orientações a crianças e adolescentes, formando gerações mais responsáveis e, acima de tudo, mais educadas no nosso trânsito. É preciso orientar desde cedo para que o Brasil consiga reduzir esses indicadores preocupantes e até certo ponto vergonhosos.