OPINIÃO

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A irresponsabilidade no trânsito gera tragédias

Folhapress

| Edição de 07 de julho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Gerou comoção em todo o Paraná o grave e impressionante acidente com um caminhão-tanque na BR-277, em Morretes, no litoral do Paraná, ocorrido no último domingo. Seis pessoas morreram, incluindo um apucaranense. A tragédia chama atenção, mais uma vez, para a violência no trânsito no país e para a urgência em buscar medidas visando aprimorar a conscientização de motoristas sobre os riscos.

O acidente envolveu um caminhão, que transportava 44 mil litros de álcool. O motorista perdeu o controle da direção e bateu contra uma mureta de proteção na rodovia. O veículo explodiu em seguida e atingiu outros doze automóveis. As cenas do acidente, divulgadas em vídeos pelas redes sociais, são chocantes. O incêndio toma conta da rodovia, queimando carros e deixando um rastro de destruição.

Em depoimento à Polícia Civil, o motorista do caminhão-tanque disse que o painel do veículo acusou a existência de uma falha nos freios. Mesmo assim, ele decidiu continuar a viagem, que resultou no acidente. Essa confissão revela a dimensão da irresponsabilidade do caminhoneiro, que foi preso e acabou liberado após o pagamento de fiança. Ele vai responder por homicídio doloso, com dolo eventual, ou seja, quando o autor assume o risco de matar.

A tragédia também comoveu o Paraná e o país por causa do ato de heroísmo de um pai. Mesmo atingido pelas chamas, ele conseguiu reunir forças para salvar a filha de 17 dias que estava no banco de trás do carro. A criança se salvou e saiu praticamente ilesa. O pai e a mãe do bebê, que também estava no veículo, infelizmente, morreram.

Outra vítima é o apucaranense Pedro Idalgo, de 55 anos. Ele seguia rumo a Paranaguá, onde participaria de uma pescaria. Idalgo teve 90% do corpo queimado e não resistiu aos ferimentos, vindo a morrer na terça-feira.

A violência desse acidente chama atenção e reforça a importância de melhorar a educação no trânsito. O caminhoneiro foi irresponsável ao volante. Ele não deveria ter seguido viagem após perceber a falha no sistema de freios. Isso é indiscutível.

Infelizmente, a maioria das tragédias ocorre por falha humana, seja imprudência ou imperícia. Até quando as pessoas vão manter esse comportamento no trânsito? Chegou a hora de a sociedade se unir em busca de uma solução. Educar e conscientizar motoristas, pedestres, ciclistas, motociclistas, ou seja, todos que fazem parte do trânsito, é o único caminho para reduzir as mortes. Se não houver uma política concreta e consistente nesse sentido, continuaremos assistindo tragédias e cenas de horror como essa registrada em Morretes, no litoral do Paraná, no último domingo.