OPINIÃO

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A mobilização da sociedade em defesa da segurança

Tribuna do Norte

| Edição de 22 de junho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A população da região decidiu se mobilizar para melhorar a segurança pública. Um movimento que nasceu no Vale do Ivaí e que agora chega também à região de Arapongas está reforçando o armamento das polícias. Já são nove cidades que compraram ou encomendaram fuzis. Embora o governo estadual não veja necessidade desse investimento, a população entende que, com um armamento de maior calibre nas mãos da Polícia Militar (PM), especialmente, estará mais segura.

Essa iniciativa começou a ser delineada após os sucessivos assaltos e roubos a agências bancárias no Vale do Ivaí nos últimos anos. Esses crimes são praticados por quadrilhas fortemente armadas. Portando fuzis e submetralhadoras, os bandidos encontram pouca resistência das polícias, que não contavam com esse armamento.

Os primeiros cinco fuzis comprados já estão nas mãos de policiais da 6ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), de Ivaiporã. Outros dois fuzis também serão entregues no próximo mês à Polícia Civil de Ivaiporã. O armamento foi adquirido pelos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) de Ivaiporã, Faxinal, Borrazópolis e Lidianópolis. Os recursos vieram de “vaquinhas” feitas pela comunidade.

A mobilização serviu de exemplo para outros municípios. O Conseg de Arapongas já encomendou quatro fuzis e o conselho de Novo Itacolomi um. Califórnia, Jandaia do Sul e Mauá da Serra já estão em campanha para conseguir recursos para compra dos seus armamentos.

Por um lado, a medida mostra o engajamento da comunidade na questão de segurança pública. E deve ser assim. A população precisa participar ativamente, buscando apoiar ações que garantam a proteção de toda a comunidade. Por outro lado, mostra o grau de insegurança que vivem esses moradores, que resolveram tirar recursos do próprio bolso para ajudar o Estado, que é o responsável pela segurança pública.

O governo afirma que não está se furtando em equipar suas polícias. A Secretaria de Estado de Segurança (Sesp) trabalha com estatísticas para enviar fuzis para os municípios. Embora o Vale do Ivaí tenha convivido com as quadrilhas da dinamite e outros bandos especializados em assaltos a bancos, o índice de criminalidade é considerado aceitável. É claro que é uma polêmica. Afinal, moradores sentem-se desprotegidos e querem respostas imediatas, o que nem sempre é possível.

O governo estadual tem investido em armamento, veículos e efetivo. Três escolas de formação de soldados estão em andamento na região: Apucarana, Arapongas e Ivaiporã. A defasagem é grande ainda, devido à falta de investimentos nas últimas décadas.

O aspecto a ressaltar é a união da população. É claro que o governo estadual precisa ampliar seus investimentos na região. Isso é uma demanda histórica e o Estado não pode realmente se furtar. Porém, o Vale do Ivaí serve de exemplo de como a mobilização pode trazer frutos em defesa da coletividade.