A classe política brasileira desmoronou definitivamente. Os pedidos de prisão do ex-presidente da República, José Sarney (PMDB-AP), do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do deputado federal afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), caíram como uma bomba no país. São quatro caciques da política nacional. Eles são acusados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de tentar obstruir a Operação Lava Jato. Os pedidos de prisão, que serão analisados pelo ministro do Supremo Tribuna Federal (STF), Teori Zavascki, mostram a dimensão da crise ética e moral dos nossos políticos.
É a primeira vez que a Procuradoria Geral da República (PGR) pede a prisão de um presidente do Congresso e de um ex-presidente da República. Mesmo que o STF não autorize as prisões, a simbologia desses pedidos é imensa, pois mostra como a classe política está atolada em conchavos, manobras nebulosas e denúncias de corrupção.
Falando em manobras, Brasília também assistiu na última terça-feira a mais um triste espetáculo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que analisa o pedido de cassação do Eduardo Cunha. Os integrantes do conselho estavam prontos para votar, mas a sessão foi adiada, entre outras coisas, pelo sumiço da deputada Tia Eron (BA). O voto dela é decisivo para definir o futuro de Cunha, já que a votação está acirrada. Numa estratégia do deputado afastado, a parlamentar não compareceu na votação e não foi localizada. Assim, os adversários de Cunha adiaram a votação, também “manobrando” para evitar uma derrota certa.
Nada mais parece constranger os aliados de Cunha na Câmara Federal. O deputado afastado é réu no STF e tem agora seu pedido de prisão solicitado pela Procuradoria. Mesmo assim, a Câmara titubeia em cassar o mandato desse político. Esse processo está sendo discutido há mais de oito meses. É uma vergonha nacional e comprova o nível da nossa classe política.
Esses dois episódios precisam servir de reflexão para a população, juntamente com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e da Operação Lava Jato. O Ministério Público, a Polícia Federal e o Judiciário estão atuando dentro do campo legal, investigando e sentenciando políticos corruptos. No entanto, é a população, o eleitor propriamente dito, que pode mudar a realidade. Afinal, é o cidadão que elege esses políticos que hoje tanto envergonham a nação. É preciso votar melhor, acima de tudo. Algumas “raposas” políticas precisam ser defenestradas, não somente pelo Judiciário, mas pelo voto do povo.