No último pleito eleitoral realizado para prefeitos municipais e membros das respectivas câmaras municipais, o eleitorado demonstrou a grande insatisfação com a atuação dos políticos, haja vista o elevadíssimo porcentual de votos nulos, brancos e abstenções, numa demonstração inequívoca de que a política está relegada a segundo plano, quando, na verdade, deveria ser opção prioritária de todos.
A crescente despolitização e descrença da população com relação às instituições e aos políticos estão sendo uma marca preocupante dos nossos tempos, não só no Brasil, como em todo o mundo.
Ao que tudo indica e um dos pontos fundamentais que se observa nesse contexto, que é preocupante, é a profissionalização da política, ou melhor, em cada eleição sempre surgem os mesmos candidatos que, às vezes, nem chegam a cumprir seus mandatos para os quais foram eleitos e já estão preparando caminhos para outros cargos nas próximas eleições, como que pretendendo sempre manter-se evidente no campo da vida pública.
É de se pensar ou de até mudar a legislação eleitoral para que não houvesse mais a questão da reeleição, cumprir o mandato para o qual foi eleito até o final ou cumprir um período de quarentena até a próxima eleição; no caso da reeleição o candidato deveria afastar-se da função que está exercendo pelo menos por seis meses antes do pleito porque, nesses casos, o candidato está com prioridades, pois possui toda máquina administrativa em desfavor aos demais candidatos.
O eleito deveria manter-se no cargo até o fim do seu mandato, e não entregá-lo a seu substituto para candidatar-se a outro cargo, porque o espaço deixado, de alguma forma, sofrerá solução de continuidade com prejuízo para todos.
Como não há efetivas alternativas de mudança em jogo, é diminuído o sentido do voto e a campanha eleitoral se reduz a uma mera escolha de candidatos a um cargo político que, cada vez mais, tende a ser identificado como profissão.
De fato, se for feita uma visualização no panorama eleitoral brasileiro em todas as últimas eleições verifica-se que os candidatos sempre são os mesmos, com raríssimas exceções, surge um novato, sempre são os mesmos, ou ocupam cargos eletivos ou vão participar direta ou indiretamente da administração pública ou como ministros, como secretários, como assessores e diretores de algumas empresas estatais; sempre estão evidência no campo político e isso, é perfeitamente, observado por todos.
Isso é apenas uma observação que poderia ser analisada e, talvez, futuramente, porque a função clássica do Estado é impedir mudanças sociais e, nesse contexto, a distância dos parlamentares dos problemas sociais da maioria da população é inerente à própria lógica da política numa sociedade de classes. A frustração, a impotência e desilusão da população com as instituições políticas resultam do confronto com a dura realidade dos limites da democracia representativa.