O ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), finalmente, foi preso na última quarta-feira em Brasília pela Polícia Federal (PF), atendendo a uma determinação do juiz paranaense Sérgio Moro. O ex-parlamentar foi transferido no mesmo dia para Curitiba.
A prisão de Eduardo Cunha aconteceu após meses de expectativa. Acusado de receber propina de empreiteiras, o político acabou entrando na mira de Sérgio Moro após a cassação do seu mandato. Assim, acabou perdendo foro privilegiado e pôde ser alcançado pelo juiz federal paranaense, onde estão tramitando os processos da Lava Jato.
Moro pediu a prisão do ex-deputado afirmando que sua liberdade representava risco "à instrução do processo, à ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade (Cunha é italiano e brasileiro)".
A prisão de Eduardo Cunha, é verdade, demorou demais. Pesavam contra o político várias denúncias e havia provas concretas de corrupção, a partir do rastreamento de recursos desviados para contas na Suíça. Os gastos nababescos da família do ex-deputado carioca na Europa, especificamente em Paris, geraram revolta na sociedade. Almoços e jantares em restaurantes caríssimos eram rotina de Cunha e esposa na capital francesa.
Em liberdade, o ex-presidente da Câmara agia para prejudicar as investigações. A sua prisão se fazia necessária e o leque de provas contra o ex-parlamentar era superior a de outros políticos e empresários já presos em outras fases da Operação Lava Jato.
Eduardo Cunha tornou-se um símbolo da corrupção no Brasil. Ele, seguramente, foi um dos políticos mais influentes dos últimos anos em Brasília, atuando nos bastidores, com sucessivas denúncias de corrupção ao longo de décadas de atuação política. Mesmo com esse currículo nebuloso, alcançou o posto de presidente da Câmara Federal, onde foi o principal responsável pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).
Sua prisão é mais um passo para reduzir a corrupção no país e mostrar que poderosos também vão para a cadeia. É importante também para mostrar que integrantes de todos os partidos, indistintamente, estão na mira do juiz Sergio Moro. A Justiça precisa valer para todos. Novas prisões de figuras importantes da política nacional agora são esperadas ainda nesse longo caminho de passar o Brasil a limpo.