OPINIÃO

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A realidade dos ‘sem direitos’

Por João Calegari, professor e mestre em ética da responsabilidade

| Edição de 27 de março de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Viver em uma realidade de paradoxos? Compreender os avanços científicos-tecnológicos e estar impotentes frente ao planeta terra com uma peste de covid-19? Por que na maioria das vezes é percebida a fórmula vazia de conteúdo ou com sentido de concepções e tradições opostas e irreconciliáveis? Quem deveria proteger os cidadãos tem manifestações tão antagônicas? A melhor idade ou idosos são as fragilidades que precisam de nossos cuidados e estão sendo descartadas? 
“Não há nenhuma grande dicotomia nas ciências sociais em que de um lado o liberalismo e o socialismo não se coloquem em lados opostos. As esferas de interesses privados ou públicos; propriedade privada ou coletiva; os que possuem os meios de produção dominantes e os trabalhadores pobres como sujeito histórico alternativo; a propalada direita e esquerda; prisma individualista do humano ou prisma da inclinação orgânica da sociedade; visão reducionista ou de totalidade; comunidade ou sociedade; pode-se acrescentar outras...” Norberto Bobbio. 
Diante de tantos questionamentos você pode perguntar: as pessoas vieram antes da sociedade ou foi o conjunto da sociedade antes dos sujeitos? Esses pensamentos são harmonizadores na sociedade ou polêmicos no conjunto social? A ciência e suas descobertas estão a serviço de todas as pessoas? Como estabelecer um diálogo no que diz respeito aos temas de liberdade, justiça social, para resistir uma época de supervalorização de direita reacionária e míope? Nenhuma ditadura, mesmo a do proletariado, é um caminho que não poderá ser mais experimentado. A democracia deve ser considerada como um valor universal e ela só é possível com a cultura da solidariedade.
Contudo, as declarações de alguns governantes têm demonstrado desespero para a classe trabalhadora e aos que são a mola propulsora da economia deste país. 
Entendemos que o trabalho existe para servir o homem, ou seja, para que as pessoas tenham qualidade de vida. Parece que nossos governantes não entendem dessa forma. Se em um momento ímpar na história do país, onde o povo precisa se isolar para se proteger suas vidas, isso é ameaçado com medidas econômicas que comprometem a sua sobrevivência (redução de salários, demissões, imposição de licenças...), o homem deixa de ser um fim e passa a ser um meio de atender os interesses financeiros de uma elite. 
Nossos representantes políticos são eleitos para cuidar dos interesses do povo, primeiro este, depois a economia. Diante de todo esse cenário, a população clama por seriedade nos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, os quais estão sem credibilidade quando as leis são aplicáveis aos menos favorecidos. Afinal a nossa carta magna – lei maior de nosso país, parece uma colcha de retalhos com tantas “costuras” para alterar ou retirar o que é de direito do povo. Existem motivos para vivermos melhor em nossa sociedade!?