OPINIÃO

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A realidade venceu a propaganda!

Por padre Paulinho Amaral, vigário geral da Diocese de Apucarana e mestre em Filosofia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM)

| Edição de 15 de maio de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O Papa Francisco, em sua Exortação apostólica pós-sinodal Evangelium Gaudium, afirma que a realidade é maior do que a ideia (números 231-233). Nesta sua primeira manifestação, o pontífice nos recorda que precisamos ser mais verdadeiros, transparentes, não ter medo de nossa realidade, por mais dura e desafiadora que seja. O nosso dia a dia não é feito de propaganda, virtualidades, amigos e amizades virtuais, é feito de desafios e da interação de pessoas reais, com muitas qualidades, mas também limites que se tornam desafios a serem enfrentados e superados.

O processo iniciado há mais de cinco meses que culminou na admissão do processo de julgamento da senhora presidente da República Dilma Rousseff é legítimo, democrático e uma resposta para todos os que continuam acreditando que basta um bom marqueteiro para ascender ao poder, momento forte de profunda reflexão, para que voltemos à realidade, não iludamos as pessoas e não nos deixemos ser enganados, iludidos, basta de estelionatos eleitorais.

Não há dúvida que precisamos reconhecer os avanços, especialmente na área social, do período do governo do Partido dos Trabalhadores (PT). Muitos de nossos jovens empobrecidos conseguiram concluir uma faculdade ou um curso técnico e estão no mercado de trabalho por causa de programas como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Muitas famílias persistem na área rural incentivadas pela política de apoio à agricultura familiar, mais pessoas tiveram acesso ao tratamento médico e a uma moradia e a direitos básicos.

No entanto, tudo isso foi possível também, pois o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdou a estabilidade econômica e manteve as bases fundamentais de uma política econômica favorável.

Com as mudanças na conjuntura e o grave desafio da corrupção sistêmica que vai a graus elevadíssimos neste período, o governo optou pela maquiagem, muito bem planejada por um marqueteiro que inclusive está preso, do que a clareza e a sensatez em enfrentar uma realidade explicitamente desfavorável.

A campanha para reeleger a atual presidente afastada priorizou a desconstrução e desqualificação dos adversários ao invés da reflexão profunda de propostas que enfrentassem a grave crise que já vivíamos, não foram Marina Silva (Rede), Aécio Neves (PSDB), somente as vítimas, mas todo o povo brasileiro. Não esperamos messianismos, mágicas, soluções pirotécnicas, mas a convergência de projetos exequíveis e ética para fazer o Brasil avançar. Agora é o momento de reformas estruturais e de relançar as bases de um Brasil sustentável.