Na esteira da continuidade do recente levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o qual demonstra de forma insofismável de que centenas de prefeitos que podem disputar a reeleição, cerca de 4.200, dentro do universo de 5.568 em todo o Brasil, teremos que a chapa (prefeito e vice-prefeito) vai ser a mesma que concorreu em 2012. Ou seja, dos possíveis 4.200 prefeitos eleitos em 2012, os quais podem ser candidatos à reeleição, destes, cerca de 3.000 mil vão disputar o segundo mandato, sendo que na grande maioria vão concorrer neste pleito de 2016 com o mesmo vice que foi candidato na eleição de 2012.
Parte-se do brocardo popular, amplamente utilizado no esporte, onde diz o seguinte: “(...) time que está ganhando não se mexe”. Assim, teremos que a chapa – prefeito e vice – será a mesma que disputou em 2012. Para alguns se tem que o vice é figura meramente decorativa na configuração da administração municipal, ledo engano, o vice exerce muitas vezes papel preponderante na administração, ocupa cargos de alto escalão, participa ativamente dos rumos dando norte na gestão e ainda indica caminhos a serem percorridos, tanto o é verdade que temos centenas de bons exemplos disto.
Na configuração costumeira e plausível temos que a figura do vice-prefeito é o segundo em exercício no cargo do executivo municipal. No Brasil, esse representante é eleito através de voto direto, de quatro em quatro anos, juntamente com o prefeito, de modo vinculado (Constituição Federal, artigo 29, I e II). O vice-prefeito é o substituto do prefeito municipal em caso de ausência por licença, renúncia ou outro impedimento qualquer. Pode e deve exercer função dentro da administração municipal. Em outro brocardo temos o seguinte: “(...) o acessório sempre segue o principal”. De outro lado, temos que nesta escassez de recursos para a campanha eleitoral, necessário é se ter um vice com boas condições e envergadura financeira para ajudar a suportar o custo da campanha eleitoral.
Por outro vértice, se busca também na figura do vice a condição de densidade eleitoral visando ampliar o eleitorado, pois em regra geral o vice sempre ajuda e colabora tanto com o custo da campanha tão quanto com votos. Afinal, temos que campanha eleitoral se faz com voto e com dinheiro, ainda mais tendo só e tão somente por meio de doações de pessoas físicas o financiamento da campanha. Dificilmente o chamado Fundo Partidário irá irrigar as campanhas eleitorais no interior; fato é que o Fundo vai concentrar em capitais e cidades com 2º turno. Isto é fato! Outro aspecto a ser levado em conta é que o vice sempre é de partido diferente do candidato a prefeito, logo, se tem com isto, por meio da coligação, à condição de buscar e ampliar, por meio deste pacto, um melhor tempo no horário eleitoral, que na grande maioria das cidades temos o rádio como meio de comunicação de massa.
Assim, o horário eleitoral é de suma importância no conjunto da obra da eleição municipal. Afinal, um bom vice só tende a ajudar a campanha do prefeito, jamais pode ser um guaipeca. Portanto, vamos ver na urna eletrônica as mesmas “carinhas” dos candidatos eleitos em 2012. Assim, teremos e veremos na grande maioria dos municípios brasileiros, a repetição da mesma chapa que se elegeu em 2012, esta, disputando o pleito de 2016 com os mesmo candidatos eleitos na última eleição. Na frase de Rui Barbosa: "A história dos abusos do poder é a história da glorificação de todas as misérias."