Além da questão política, o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) tem um viés econômico importante. A cada sinalização favorável ao afastamento da petista, como a aprovação do parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) na Câmara Federal, o mercado financeiro reage favoravelmente.
Anteontem, quando o processo do impeachment foi aprovado por 38 a 27 na comissão especial do impeachment, a Bovespa abriu em alta de 2,2%, enquanto o dólar recuou abaixo de R$ 3,50. Quando Dilma mostra alguma resistência e as notícias apontam para a sua permanência no cargo, a bolsa de valores despenca e o dólar dispara. O humor do mercado financeiro oscila vertiginosamente a cada movimento político em Brasília.
Por que os investidores querem tanto a saída da presidente? Apesar do quadro caótico da política e da economia nacional, a resposta é simples. O mercado sonha com um novo “clima econômico”. Há a esperança de que, mesmo com a posse de Michel Temer (PMDB), o País se reequilibre e haja um esforço maior na questão das contas públicas e no ajuste fiscal. Há um fundo psicológico por trás dessas oscilações do mercado financeiro.
O “clima econômico” é, sim, importante. É claro que medidas fiscais mais austeras são fundamentais e necessárias. A saída de Dilma não resolverá o problema como num passe de mágica, como muitos pensam. Pelo contrário. O estrago feito até agora foi grande demais e exigirá um esforço hercúleo do novo governo – caso o impeachment se confirme na Câmara e depois no Senado – para colocar a economia nacional novamente nos eixos.
No entanto, o pessimismo é um complicador a mais. As empresas estão sem condições e sem coragem de investir num país atolado em meio a uma crise política, econômica e institucional. Todos estão pisando no freio, em compasso de espera, aguardando o desfecho desse imbróglio.
Uma mudança de rumo é essencial para recuperar essa confiança perdida. A presidente Dilma Rousseff não tem condições de governar e sua permanência seria catastrófica. A troca de governo é a coisa mais racional a fazer para tentar mudar a realidade. Com Dilma, todos sabem que a paralisia vai continuar. Domingo tem tudo para ser um dia histórico no Brasil.