OPINIÃO

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A união de escolaridade e vivência entre candidatos

Tribuna do Norte

| Edição de 25 de agosto de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Dados da Justiça Eleitoral sobre os candidatos a vereador em Apucarana chamam atenção – positivamente – para o grau de instrução dos nomes colocados na disputa de 2 de outubro. Dos 132 concorrentes ao Legislativo, 50 têm curso superior, o que representa 37,8% do total. O nível de escolaridade está acima da média nacional e também de outros pleitos recentes no município.

Não há dúvidas de que o diploma é importante para um vereador. Infelizmente, muitos ocupantes desse cargo não têm formação adequada. Sem instrução, acabam tendo mais dificuldade de leitura e interpretação, o que prejudica a análise de projetos de lei enviados pelo Executivo e também de colegas de plenário. Além disso, não contam com uma “bagagem” cultural e intelectual necessária para avaliar o que é importante para a sociedade.

O vereador tem como atribuição, além de fiscalizar o Poder Executivo, elaborar leis que provoquem transformação na vida das pessoas. Sem um estofo intelectual, muitos vereadores acabam sendo reféns de técnicos de carreira nos Legislativos ou da influência de outras pessoas, atuando sem nenhuma identidade.

Em alguns casos, a falta de formação redunda em algumas aberrações. Recentemente, um vereador de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, virou piada nacional ao discursar no plenário, comentando sobre um requerimento que pedia o pagamento de bolsa-auxílio a médicos residentes do hospital no município. O vereador em questão cometeu então a gafe que ficou famosa, ao declarar que não sabia que “médico reside [mora] no hospital”, confundindo residência (especialização feita nos hospitais) com moradia.

Por outro lado, é também inegável que somente um curso superior não é suficiente para um bom mandato no Legislativo ou até no Executivo. Há inúmeros exemplos de vereadores e prefeitos que realizaram e ainda realizam grandes trabalhos no setor público sem que tenham um bom nível de instrução. Nesses casos, pesa a vivência e a sensibilidade em ditar sua função a partir das necessidades das pessoas.

O ideal, no entanto, é que os políticos unam as duas coisas. Ou seja, que tenham uma formação compatível e também a vivência necessária para representar os interesses da população perante o poder público. No final de contas, o fundamental é o vereador ter uma trajetória de serviços prestados, que apresente propostas que transformem a realidade da sociedade e que carreguem a marca da honestidade, acima de tudo.