O governo do Estado precisa reforçar a segurança em Ortigueira, nos Campos Gerais. Quarto maior em extensão territorial do Paraná, o município sofre há anos com a violência, principalmente com assaltos à mão armada.
Na tarde de sexta-feira, mais um episódio lamentável foi registrado. Bandidos armados de fuzis assaltaram uma agência do Bradesco, levando pânico à população. Os assaltantes chegaram atirando para o alto e usaram moradores como "escudo" na hora da fuga.
Os assaltos a banco em Ortigueira, infelizmente, são frequentes. Na maioria dos casos, os criminosos agem de forma violenta, como forma de intimidar as autoridades. Em novembro do ano passado, os ladrões usaram duas retroescavadeiras e quebraram paredes de duas agências para roubar cofres. Em julho do ano passado, três agências bancárias foram explodidas de forma simultânea.
O município, de 23 mil habitantes, conta com apenas dois policiais militares por turno. O efetivo da Polícia Civil também é limitado, o que facilita a ação dos criminosos.
Não há outro caminho a não ser aumentar o contingente policial. As cidades mais isoladas, como é o caso de Ortigueira, são presa fácil para esses bandos fortemente armados. São quadrilhas organizadas e preparadas, que precisam ser desbaratadas.
No começo deste ano, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-PR) desencadeou a Operação Cangaço, que prendeu 56 assaltantes de bancos de várias quadrilhas. Entre os detidos estão integrantes do grupo que atuou no furto com as retroescavadeiras, que gerou repercussão nacional.
No entanto, poucos meses depois da Operação Cangaço, as quadrilhas se reorganizaram e voltaram a agir no Paraná. Isso mostra que a questão da segurança exige ações e investimentos permanentes. É preciso fazer justiça, por outro lado. O governo tem investido na ampliação do efetivo, com novas escolas de Polícia Militar. É um fato que precisa ser destacado. No entanto, esses investimentos ainda se mostram insuficientes. O déficit de efetivo é muito grande, principalmente no interior do Estado. Se não houver a ampliação do contingente e mais investimentos em armamento e veículos, será difícil enfrentar essas quadrilhas.