As ocupações de escolas estaduais prejudicaram mais de 41 mil estudantes de 76 estabelecimentos de ensino do Estado, que não realizarão as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste final de semana.
O anúncio foi feito na última terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC). Em todo o País, são 191 mil estudantes afetados por ocupações em 304 colégios. Esses alunos vão realizar as provas em 3 e 4 de dezembro.
É indiscutível o prejuízo para esses estudantes, que vinham se preparando durante todo o ano para o Enem e agora tiveram seu planejamento prejudicado.
A mudança das datas de provas ocorreu porque os estudantes não respeitaram o prazo dado pelo ministério para desocupar as escolas. Com isso, o MEC decidiu mudar a realização nesses locais, por entender que havia prejuízo na organização do exame.
É algo lamentável. O Enem é muito esperado por estudantes, pois representa a principal oportunidade de colocação em dezenas de universidades estaduais e federais de todo o país. O adiamento das provas, por mais que o MEC garanta que esses estudantes poderão participar do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) normalmente, prejudica a autoestima e aumenta a ansiedade, pois as questões e o tema da redação aplicados serão outros.
O protesto dos estudantes paranaenses e de todo o país é legítimo. Eles têm todo o direito de se rebelar com as mudanças no ensino médio apresentadas pelo governo federal se considerarem essas alterações nocivas à aprendizagem e também ao futuro.
No entanto, prejudicar o Enem foi algo excessivo. Era possível manter a mobilização em outros canais, com outras estratégias, sem afetar o exame, que integra o calendário anual dos estudantes do terceiro ano do ensino médio.
E os estudantes parecem não abrir mão das ocupações, apesar da rejeição de uma parcela grande da sociedade - incluindo pais e outros alunos – e também das decisões do Judiciário. Ontem, alunos voltaram a ocupar o Colégio Estadual do Campo Coronel Luiz José dos Santos, no Distrito de Pirapó, em Apucarana. O movimento Ocupa Paraná, inclusive, convocou os estudantes a realizarem novas ocupações no Estado.
É preciso agora bom senso, na reta final do ano, ainda mais com o fim da greve dos professores. As escolas estaduais precisam voltar a sua normalidade o mais rápido possível para evitar ainda mais prejuízos aos estudantes.