OPINIÃO

min de leitura - #

Afastamento tardio de Eduardo Cunha

Tribuna do Norte

| Edição de 07 de maio de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não reunia nenhuma condição moral - e também legal - para continuar conduzindo a Câmara dos Deputados. O seu afastamento, aprovado por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira, após liminar nesse sentido concedida pelo ministro Teori Zavascki, ocorre de forma tardia. A sociedade brasileira vinha exigindo há meses o afastamento dessa figura nefasta, que mancha ainda mais a imagem da classe política, tão desgastada em tempos de escândalos e mais escândalos de desvios de recursos.

Cunha é réu do Supremo nas investigações da Operação Lava Jato. O peemedebista é acusado por vários delatores de receber propina em contratos da Petrobras, abastecendo contas na Suíça. O afastamento do deputado ocorreu porque ele estaria tentando atrapalhar as investigações contra ele.

A demora nessa decisão, no entanto, chama atenção. Em dezembro do ano passado, o parlamentar foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República. O afastamento ocorreu seis meses depois, quando não havia mais outra alternativa para os ministros do STF.

A atuação de Cunha na Câmara é marcada por polêmicas. Alvo do Conselho de Ética da Casa, por causa das suas contas na Suíça, o deputado até hoje não foi julgado, num processo que vem se arrastando de forma constrangedora, após sucessivas manobras feitas pelo peemedebista para evitar a cassação.

Cunha agia como um verdadeiro déspota no Legislativo Federal, mandando e desmandando, manipulando a tudo e a todos. O deputado foi o maior carrasco da presidente Dilma Rousseff (PT). Sem ele no comando da Câmara, é provável que o processo de impeachment não tivesse andado um milímetro. Por isso, Cunha é detestado por petistas, mas considerado o “malvado favorito” pelos defensores do impeachment.

Independente da questão do afastamento de Dilma, a presença de Cunha na Câmara representa um mal-estar à sociedade e ao próprio Judiciário. Réu e com reiteradas denúncias, ele não podia continuar dando as cartas na política em Brasília. Pior: seria o segundo na linha sucessória presidencial com a posse do vice Michel Temer no lugar de Dilma. O afastamento de Cunha é fundamental nesse momento em que o país está sendo passado a limpo pela Lava Jato.