OPINIÃO

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Antifascismo não vai exigir heroísmo com o pescoço alheio

Por Alberto Vellozo Machado, procurador de Justiça

| Edição de 10 de junho de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Umberto Eco no texto Fascismo Eterno ressalta: “não esquecer” para não dar esse mal como superado. Pois, vemos muitas manifestações fascistas ao nosso redor, com vestes civis. O conceito fascismo que vem do italiano fascio, que significa “feixe” e com isso fica difícil quebrar, em oposição a um único bastão que com facilidade pode ser despedaçado. Suas características estão vinculadas ao medo do diferente, a oposição à análise crítica, ao machismo, à repressão e ao controle da sexualidade, a exaltação de um “líder”, e um intenso estado de ameaça, com notórias formas de despotismo e fanatismo. Essa abordagem, pode nos levar a denunciar as ameaças constantes à nossa sociedade quando se quer refletem sobre o significado da história e a importância da memória.
São esses alguns modelos possíveis de fascismos que nos permitem questionar sobre a liberdade de palavra, da imprensa que ao fim da ditadura trouxe como retorno o direito de renascer como homens e mulheres livres ocidentais. Nas diversas manifestações, a frente ampla diz que é preciso ir todos juntos. No entanto, é preciso repensar que é possível copiarmos juntos, mais caminhamos em separados como afirma Engels. Mesmo sabendo que aqueles que tornam a revolução pacífica, a tornam violenta e inadiável, afirma Jones Kennedy. As ondas de protestos no caso da morte de George Floyd, um negro americano quando implorou por 16 dezesseis vezes ao policial branco de Minnesota com os joelhos em seu pescoço, “ Eu não consigo respirar” antes de desfalecer. A verdade está na maioria absoluta das vezes do lado de baixo. 
No Brasil os manifestos marcados no mês de junho, contra a ultra direita que exerce o poder, vem criando debates fortes, podemos interromper o isolamento social para combater as ideias fascistas? Nós teríamos inúmeros motivos de racismos e preconceitos similares a de outros países, a exemplo do assassinato do menino negro de 14 quatorze anos, João Pedro em São Gonçalo (RJ), com um tiro de fuzil pelas costas dentro de sua casa. Duas justificativas são robustas para protestar: somos70 por cento que não acreditamos neste governo; respeitamos quem vai e pode morrer contaminado de corona vírus ao ter que morrer de tortura. Vamos deixar a ditadura se instalar das janelas de nossas casas? 
Qual é o nosso dever como cidadão democrático? Seria de desmascarar o fascismo em suas diversas formas e apontar seus retrocessos no mundo, nos argumentos de Roosevelt: “Ouso dizer que, se a democracia americana parasse de progredir como uma força viva, buscando dia e noite melhorar, por meios pacíficos, as condições de nossos cidadãos, a força do fascismo cresceria em nosso país”. Que a liberdade e libertação sejam um propósito de cada momento e que não terminem nunca. “Não esqueçam!”