As convenções partidárias foram encerradas na última sexta-feira e os candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador já foram definidos. Ainda há a possibilidade de mudanças pontuais em alguns municípios, em virtude de desistências de última hora ou decisões judiciais. No entanto, o quadro praticamente está fechado e, com o início da campanha propriamente dita na próxima semana, o eleitor terá oportunidade de ouvir as propostas dos candidatos e decidir o futuro de seus municípios.
As eleições municipais deste ano são as primeiras após o escândalo da Operação Lava Jato, que levou para cadeia políticos e empreiteiros, e também após as mudanças eleitorais, principalmente com o fim do financiamento privado.
Com isso, as campanhas serão mais baratas e as propostas deverão ganhar mais espaço. Ou seja, os candidatos precisarão, mais do que antes, focar suas estratégias em planos de governo e no diálogo com os eleitores. Em outras palavras: será preciso gastar muita sola de sapato para convencer o eleitorado.
Apesar da abrangência da Operação Lava Jato e da frustração nacional com os políticos, essa campanha tem um foco muito local. Pouco vai adiantar apostar em discursos e comparações com o cenário político em Brasília. A população dos municípios quer saber de projetos e planos de governo que apresentem soluções para os problemas locais.
É claro que os escândalos no Planalto Central marcaram essa geração de eleitores. No entanto, a eleição municipal se caracteriza pelo olho no olho com os candidatos a prefeito e a vereador. Há uma natureza diferente nessa disputa. Por isso, é fundamental que os candidatos apresentem propostas concretas – e factíveis – para melhorar a realidade dos moradores dos seus municípios. O eleitor de uma rua de chão batido quer ser convencido de que o tão sonhado asfalto chegará à porta de sua casa e da onde o candidato vai tirar esse recurso para a obra. Só promessas não adiantam mais.
Está chegando a hora de os eleitores definirem suas estratégias para escolher seus candidatos. A biografia e as propostas são o ponto de partida, sem dúvida. A disputa partidária, talvez, não esteja entre as prioridades nestas eleições municipais. O mais importante é a sintonia da população com os futuros gestores.
A disputa municipal é baseada essencialmente nos interesses locais. Nacionalizar o debate, portanto, é se afastar dos interesses da população. Afinal, é a vontade dos eleitores — e não a dos candidatos — que vai prevalecer na urna em outubro.