OPINIÃO

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Atendimento a usuários de drogas precisa melhorar

Da redação

| Edição de 29 de junho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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ma em cada 20 pessoas entre 15 e 64 anos fez uso de pelo menos algum tipo de droga no mundo em 2014. Os dados são do último relatório Mundial sobre Drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), divulgado na última segunda-feira como parte das atividades do Dia Internacional de Combate às Drogas.

O mesmo documento, que mapeia o consumo de entorpecentes em todo mundo e o impacto decorrente na sociedade, aponta outros números preocupantes. De modo geral, cerca 250 milhões de pessoas em todo o mundo consomem algum tipo de entorpecente. Desse total, quase 30 milhões apresentam transtornos relacionados ao consumo, incluindo a dependência. Ou seja, há uma multidão de pessoas que precisa de ajuda médica e especializada para tratar do vício e superar a dependência.
Tratar da dependência química é um desafio que engloba várias áreas e nem sempre recebe a atenção adequada do poder público, principalmente em países como o Brasil, onde há uma infinidade de demandas envolvendo saúde pública.

Muito se fala e investe no Brasil em prevenção ao uso de drogas. E esse investimento é muito necessário, frise-se, mas no outro lado, o que envolve o atendimento efetivo ao usuário de drogas ainda é muito falho.
Simplesmente falta atendimento especializado. Por uma questão de política pública, a dependência química vem sendo trabalhada basicamente de forma ambulatorial, o que exige que o usuário vá até o serviço para receber o atendimento nos Centros de Ação Psicossocial (Caps) o que, dada a natureza da drogadição, nem sempre é a estratégia mais eficiente. Na área da 16ª Regional de Saúde, que tem 17 municípios,  existem apenas cinco Caps e só dois são especializados em atendimento a usuários de álcool e drogas. 
Se na questão ambulatorial a rede já não é a ideal, combater o vício de forma mais intensiva, com internamento, é uma desafio ainda maior. Faltam clínicas especializadas, faltam vagas para o SUS e a internação  deste público na rede hospitalar geral, que deveria assumir esse público após a reforma psiquiátrica e a luta antimanicomial nunca foi realmente efetivada. 
Neste sentido, a iniciativa da prefeitura de Arapongas, de chamar um projeto para uma clínica de recuperação merece atenção e apoio regional. A ideia é elaborar um projeto, via Cismel, e levantar recursos do Ministério da Justiça para tocar a obra e colocar os leitos a disposição dos moradores da região. Necessidade existe e é urgente.