Dois assassinatos em menos de 24 horas. Uma sucessão de tragédias que deixou Apucarana estarrecida e que expõe a escalada da criminalidade na cidade. Um caseiro morto onde morava, uma propriedade rural na Vila Reis, e um operário executado por bandidos ao reagir como cidadão de bem que ouviu apelo de duas mulheres assustadas que tiveram a casa arrombada por quatro homens armados. Um assalto que não aconteceu na madrugada, mas no início da tarde, em plena luz do dia em uma casa modesta dentro do Parque das Araucárias.
As duas mortes entram no que a lei classifica como latrocínio, conduta criminosa que está prevista no § 3º do Artigo 157 do Código Penal, e que descreve um assassinato que ocorre como efeito colateral de um crime que, em sua origem, visava usurpar um patrimônio.
Em termos de estatística, os crimes contra o patrimônio têm crescido de maneira assustadora. Um fenômeno que não ocorre apenas em Apucarana, mas em toda região. No balanço oficial publicado anualmente pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná, todos os crimes patrimoniais apresentaram crescimento na área da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana entre 2015 e 2016, data do relatório mais recente. Alguns crimes cresceram em índices assustadoramente altos, caso do roubo de carro, cuja incidência aumentou 100% no período e cuja evolução foi alvo de reportagem recente na Tribuna.
Também cresceram os casos de furto, 11%, e de roubo, 17,6%. O que preocupa é exatamente o índice maior de roubos, que são crimes que envolvem ameaça direta à vítima e, em razão disso, tem um impacto muito maior comunidade.
Sem índices oficiais atualizados, mas com abundantes casos nos últimos meses, os assaltos a propriedades rurais também vêm se tornando uma triste rotina no noticiário local. O sítio onde o caseiro Paulo Neves de Souza trabalhava já havia sido alvo de furtos em outras ocasiões neste ano. Ele foi morto aos 38 anos em um confronto com ladrões, que fugiram sem levar nada.
Os outros ladrões que tiraram a vida do operário Aparecido Rufino da Silva, 47 anos, pouco levaram da casa que arrombaram: um celular e um cordão de ouro.
O principal efeito do aumento do número de assaltos é a exposição das vítimas ao risco e à violência. Como se viu nos últimos dias, é preciso pouco para que um assalto termine em tragédia.
É inegável que o crescimento da criminalidade envolve uma série de fatores - e a complicada situação econômica do País é um deles -, mas é preciso que uma resposta seja dada, e de forma urgente, sob pena de novas tragédias se tornem cada vez mais frequentes.
OPINIÃO
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