É preocupante o aumento de adolescentes cooptados pelo tráfico de drogas na região. Segundo dados divulgados pela Polícia Militar (PM), 36% dos flagrantes desse tipo de crime registrados nos três primeiros meses deste ano em 12 municípios do Vale do Ivaí envolvem menores de idade.
Esse quadro merece uma profunda reflexão das autoridades de segurança pública e também de especialistas em educação. Afinal, é na adolescência que meninos e meninas estão buscando a sua própria identidade, procurando modelos para se espelhar. Nesse contexto, é alarmante que muitos adolescentes estejam encontrando em criminosos as suas principais referências de vida e de formação.
Além da participação efetiva no tráfico, é grande também o número de adolescentes flagrados consumindo drogas. Eles representam 22% dos flagrantes por uso de entorpecentes na região de Apucarana, ainda segundo balanço da Polícia Militar.
Essa situação reflete a carência de políticas públicas para os adolescentes. É claro que isso melhorou nos últimos anos. Em Apucarana, por exemplo, o Centro da Juventude é uma opção interessante e que está fazendo a diferença ao oferecer a jovens algumas alternativas de esporte, cultura e lazer. No entanto, ainda é pouco diante do desafio de reduzir a participação de menores no crime.
A maioria desses garotos e garotas sente-se atraída pelo dinheiro fácil oferecido pelos traficantes e a certeza da impunidade. Segundo o Conselho Tutelar, alguns traficantes chegam a pagar R$ 100 por dia para esses menores distribuírem entorpecentes.
A ausência dos pais é relevante nesse processo. Sem contar com apoio dentro de casa, esses adolescentes encontram respaldo no crime. Os aliciadores conhecem muito bem essa brecha na formação familiar e agem para arrebanhar justamente esses meninos e meninas em situação mais vulnerável.
Além disso, é comum que muitos desses pais também tenham histórico de violência, inclusive alguns cumprem pena por tráfico de drogas ou por decorrência de outros crimes.
O caminho para reduzir essas estatísticas está na maior presença do Estado, em primeiro lugar. É preciso garantir mais oportunidades para a formação desses jovens, com acompanhamento das famílias. Além de cursos para o ingresso no mercado do trabalho, opções de lazer e esporte são necessários. Não há outra saída a não ser educá-los para que possam aprender o caminho correto a seguir.