OPINIÃO

min de leitura - #

Avanço da criminalidade entre menores preocupa

Da Redação

| Edição de 30 de outubro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

É preocupante o número de adolescentes apreendidos em Apucarana por envolvimento com drogas, tráfico ou criminalidade. As estatísticas mostram que a sociedade falha enormemente no acompanhamento dos menores, principalmente de baixa renda, que estão mais vulneráveis ao aliciamento de traficantes. É preciso buscar alternativas para reverter esse quadro. 

As apreensões de adolescentes aumentaram 62% de janeiro a setembro deste ano em comparação com o mesmo período de 2016. Foram 292 adolescentes detidos contra 180 no período, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp). O principal motivo das apreensões está relacionado ao uso de drogas e ao tráfico. Essas duas situações representam mais da metade das apreensões: 56%. Dos 292 registros envolvendo menores neste ano em Apucarana, 106 foram por drogas para o consumo pessoal e 60 adquirir, vender, fornecer ou produzir drogas.
Na sequência aparecem as situações por desobediência com 39 ocorrências, seguido de dirigir sem Carteira Nacional de Habilitação (31) e resistência à prisão (27). Na lista de infrações ainda estão roubo, roubo agravado, furto, furto agravado, receptação, lesão corporal, porte de armas, entre outros crimes. 
O número alto de apreensões tem relação direta com a política de “tolerância zero” da Polícia Militar (PM) de Apucarana em relação às drogas. A PM vem ampliando as operações contra esse crime, com foco também no usuário de entorpecentes. 
Esses números exigem uma reflexão de toda a sociedade. Fica claro que é preciso rever as políticas públicas em relação aos adolescentes, mas também a conduta da família e da escola perante aos adolescentes. 
O principal caminho deve ser a prevenção. É preciso garantir oportunidades aos menores, especialmente mais pobres. Isso envolve prática esportiva, cultura, lazer e também formação profissional. Esses adolescentes precisam se sentir “abraçados” e não abandonados. A família também deve manter-se vigilante. Muitos traficantes ocupam esse espaço afetivo e, com isso, conseguem aliciar esses jovens, oferecendo drogas e também encaminhando-os para o mundo do crime. 
Quando a prevenção não for possível, o Estado tem o dever de garantir tratamento e acompanhamento aos adolescentes. Infelizmente, o poder público falha nessa questão, deixando esses menores abandonados. 
A questão da criminalidade, consumo de drogas e tráfico exige uma postura mais ativa de toda sociedade, pois é a própria população que sofre com esse número expressivo de adolescentes apreendidos. É um problema não só de Apucarana, mas da maioria dos municípios.