Conviver melhor com o trânsito é um dos maiores desafios da sociedade e da administração pública. Tornar o a ato de ir e vir mais seguro é uma necessidade cada vez mais urgente. Pesquisa divulgada nesta semana com base em dados do DataSUS mostra que o trânsito do estado matou, em 2015, 2.226 pessoas. Apesar de uma redução paulatina no número de mortes - em cinco anos, a queda foi na ordem de 20% -, o número de vítimas continua assustadoramente alto. São seis mortes a cada dia.
Nos dois maiores municípios da região, foram 99 óbitos. Novamente, é preciso frisar que a tendência é queda. Neste caso, na ordem de 16% em relação a 2014. Ainda assim, Apucarana e Arapongas entram na lista dos 15 municípios com com maior número de vítimas fatais no estado.
Outro dado apontado no estudo mostra o impacto dos acidentes na rede hospitalar. Entre 2011 e 2015, os acidentes deixaram 51.379 pessoas feridas no Estado e o valor total gasto no período, com custos hospitalares no SUS, ultrapassou os R$ 76 milhões.
O custo total de um acidente é algo absurdamente alto para a sociedade e implica não apenas na questão da saúde, mas envolve ainda prejuízos patrimoniais, impactos na previdência social, nas relações de trabalho e em perdas, estas sim irreparáveis, nas estruturas familiares.
Reverter os números implica em investimentos pesados em vários setores e isso não é tarefa simples. Alguns começaram a ser feitos e estão relacionados com resgate de vítimas e reforço na rede hospitalar, a principal porta de entrada dos acidentados na rede de saúde. Em Apucarana, em 2015, 70% das vítimas morreram em ambiente hospitalar.
A redução do número de acidentes passa, ainda, por melhorias em geometria de trânsito, de forma a tornar tanto ruas quanto rodovias mais seguras. O último tripé da estratégia reside no que parece ser o desafio mais difícil de ser superado: a mudança de comportamento do motorista.
Ocorre que maioria absoluta dos acidentes está relacionada ao comportamento de um dos motoristas envolvidos. Um balanço divulgado em janeiro pela PRF do Paraná aponta que, nas rodovias que cortam o estado, quase um terço dos acidentes registrados (30,8%) no ano passado foram causados por falta de atenção do motorista. Na sequência, aparece velocidade incompatível com a via (21,9%), ingestão de álcool (15,6%) e desrespeito a sinalização (10%). Ou seja, mais de 47% dos acidentes estão relacionados a comportamentos que, além de arriscados, são infrações de trânsito sujeitas a multas pesadas ou, no caso da embriaguez ao volante, crime de trânsito. Como se vê, ainda há muito a evoluir e melhorar em termos de consciência de trânsito e o risco que o ato de dirigir implica à sociedade.
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