OPINIÃO

min de leitura - #

Caminhoneiros não tiveram reivindicações atendidas

Da Redação

| Edição de 25 de agosto de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Três meses depois da greve dos caminhoneiros, as duas principais reivindicações do movimento não foram totalmente cumpridas: a redução de R$ 0,46 no valor do litro do diesel e a implantação de uma tabela de preço mínimo de frete. 

Segundo o Comando Nacional do Transporte, um dos movimentos que organizou a greve da categoria em maio, o valor integral do desconto foi repassado apenas por alguns postos no Brasil. Na média, a redução do preço variou entre R$ 0,38 e R$ 0,40. 
A questão da tabela de frete é ainda mais complexa. Os valores sancionados pelo presidente Michel Temer (MDB) em 9 de agosto desagradaram o setor produtivo, que ingressou com ações no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando o modelo, que reajusta os valores praticados em mais de 30%, em alguns casos. 
Por conta das discussões judiciais, a maioria das empresas não está seguindo o tabelamento. Entre maio e agosto, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), recebeu 2.850 reclamações de caminhoneiros por descumprimento. 
Na prática, o caminhoneiro está de mãos amarradas, porque precisa garantir o frete e acaba aceitando o valor imposto pelas empresas. 
Além dessas duas reivindicações, outro compromisso do governo com os grevistas não saiu do papel como previsto. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não conseguiu fazer contratações e cumprir a reserva de 30% de sua demanda para cooperativas. 
A greve dos caminhoneiros parou o país e gerou desabastecimento de combustíveis e gás de cozinha. Muitos produtos alimentícios também faltaram. A paralisação trouxe prejuízos ao comércio, indústria e construção civil. No entanto, a demonstração de força da categoria não foi suficiente para que as demandas fossem atendidas na integral. 
O governo federal mostrou-se incapaz de achar solução para as reivindicações. A greve chegou ao fim, mas os problemas continuam, em um total desrespeito à categoria. Na questão o frete, os caminhoneiros agora enfrentam o poder aquisitivo e o lobby de grandes empresários da área de transporte e também do setor produtivo. Em outras palavras, um acordo vantajoso é mais complicado. 
A falta de cumprimento do acordo que encerrou a greve dos caminhoneiros mostra um total desrespeito à categoria e também mantém viva a ameaça de no novos protestos. É uma situação inaceitável. O governo federal precisa sustentar suas propostas.