O caso envolvendo a modelo Sharmila Chambó, de 26 anos, chamou atenção de Apucarana nesta semana. Ela teve fotos íntimas divulgadas indevidamente por um homem com quem mantinha um relacionamento amoroso. Sharmila prestou queixa na Delegacia da Mulher e agora quer justiça.
O episódio revela um tipo de violência contra a mulher que é abominável, mas cada vez mais comum. Aproveitando a intimidade e a confiança do antigo relacionamento, homens chantageiam suas ex-companheiras com imagens de nudez.
No caso da apucaranense, o responsável pela divulgação desse material em grupos de WhatsApp fez algumas fotos e um vídeo sem o conhecimento da modelo. Além disso, invadiu as redes sociais da apucaranense para postar fotografias.
O caso mais famoso no país de divulgação indevida de imagens íntimas envolveu a atriz Carolina Dieckmann em 2012. Um hacker invadiu seu computador e depois divulgou 37 fotos na internet. Após muita repercussão, o Congresso Nacional aprovou a Lei 12.737/2012 sobre crimes na internet, que ficou conhecida como "Lei Carolina Dieckmann”. A legislação alterou o Código Penal para tipificar como infrações uma série de condutas no ambiente digital, principalmente em relação à invasão de computadores, além de estabelecer punições específicas, algo inédito até então.
Outro caso conhecido nacionalmente é da jornalista de Maringá, Rose Leonel. Ela teve fotos íntimas divulgadas sistematicamente na internet pelo ex-noivo em 2005. O caso motivou a aprovação de um projeto no Congresso que criminaliza a “vingança pornográfica”, um registro ou uma divulgação não autorizada de cenas da intimidade sexual de uma pessoa.
Além dessas leis, as vítimas podem apelar para a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), que estabelece pena de reclusão de três meses a um ano, mais multa pela exposição da intimidade sexual de alguém por vídeo ou qualquer outro meio.
A prática de divulgar imagens íntimas como vingança, portanto, é crime. Os responsáveis irão responder na Justiça por tal conduta.
Esse tipo de situação vivido pela apucaranense Sharmila Chambó é absolutamente inaceitável e revela, além de um comportamento machista que não tem mais lugar na sociedade, uma conduta criminosa. Uma pessoa não pode utilizar da intimidade para chantagear, humilhar e ofender moralmente ex-companheiros. É algo abominável e que precisa ser combatido. Finalmente, as leis agora abarcam esses crimes nas redes sociais. É preciso dar uma basta a mais esse tipo de violência repulsiva contra as mulheres.