Depois de quatro meses, os médicos do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) confirmaram o fim da greve. A paralisação deixou como saldo 2 milhões de perícias atrasadas no País. Nas agências de Apucarana, Arapongas e Ivaiporã, são 10,8 mil atendimentos que precisarão ser reagendados. Ou seja, o cidadão mais simples acabou sendo penalizado nessa queda de braço entre governo federal e a categoria. É algo completamente reprovável.
Apesar de anunciar o fim da greve, os médicos peritos ainda não voltaram ao trabalho. Eles devem retomar as perícias somente na próxima segunda-feira, dia 25. Ou seja, ainda vão demorar mais um pouco para iniciar o atendimento de milhares de trabalhadores, muitos dos quais estão sofrendo sem os devidos pagamentos de benefícios.
Só na agência do INSS de Apucarana foram 5,6 mil perícias não realizadas desde o início da greve. Em Arapongas, são 3,6 mil perícias atrasadas e, em Ivaiporã, outras 1,5 mil.
As paralisações de servidores sempre trazem inúmeros transtornos aos cidadãos mais simples. No caso do INSS, essas greves já entraram praticamente no calendário nacional. A cada ano esses movimentos grevistas são deflagrados, prejudicando enormemente a população.
São trabalhadores que precisam passar pela perícia para receber vencimentos mensais enquanto estão com problemas de saúde. Sem o atendimento dos médicos peritos, essas pessoas vem passando dificuldades para se sustentar. Foram longos quatro meses à espera e agora serão mais longas semanas até conseguir o reagendamento das consultas.
É preciso bom senso nas negociações entre governo federal e grevistas nesses casos. Entre as reivindicações dos profissionais está o aumento salarial de 27,5%. O Ministério do Planejamento, no entanto, acenou com aumento de 10,8%.
É inegável que a categoria sofre com uma defasagem muito grande na questão salarial e em outros benefícios. No entanto, é fundamental que se encontre um meio termo entre o movimento grevista e o atendimento dos segurados. Em Apucarana, por exemplo, todos os peritos estavam de braços cruzados. O cidadão comum é o maior prejudicado nessa queda de braço.