OPINIÃO

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Clima de ódio preocupa o Brasil neste ano eleitoral

Da Redação

| Edição de 01 de abril de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O clima de ódio instalado no país é preocupante neste ano em que os brasileiros irão às urnas para eleger o novo presidente da República. O Brasil nunca esteve tão dividido politicamente. Muitos militantes estão perdendo a noção de civilidade e agindo como se estivessem em facções criminosas. As ideologias de direita e de esquerda duelam nas ruas de forma perigosa. 

O ataque à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Paraná foi o exemplo mais recente da “guerra” que vem se tornando este ano eleitoral. A divergência política é natural, mas o que ocorreu em Laranjeiras do Sul, na região oeste do Paraná, na última terça-feira (27), é inaceitável. Um dos ônibus da caravana do petista foi alvejado a tiros, provavelmente por manifestantes contrários à passagem de Lula por essa região do Estado. Por sorte, ninguém ficou ferido. 
Esse tipo de situação é intolerável. Não gostar de Lula não pode ser motivo para tal agressão. Isso é tentativa de homicídio, e nenhum brasileiro verdadeiramente “de bem” quer tal coisa. O atentado precisa ser encarado como um crime, antes de tudo. A polícia tem a obrigação de investigar o caso e prender os autores dessa violência. 
Da mesma forma, são inaceitáveis às ameaças feitas ao ministro do STF, Edson Fachin. Ele revelou na semana passada que sua família vem sofrendo ameaças de morte. Fachin é o relator do pedido de habeas corpus feito por Lula no Supremo e que vai a julgamento na próxima quarta-feira. A polícia também precisa identificar os autores dessas ameaças e levá-los à prisão. 
Esse clima de rivalidade política faz mal à democracia. Entrincheirados em suas ideologias e visões de mundo reduzidas a um campo político, muitos militantes estão partindo para um caminho perigoso. Numa democracia, o debate é fundamental. As pessoas têm o direito de pensar diferente. É inaceitável que uma pessoa não possa se declarar Bolsonaro ou Lula porque corre o risco de ser admoestado, agredido ou perseguido nas ruas. 
Esse clima de rivalidade atingiu seu ápice neste ano eleitoral. É algo assustador e que não pode continuar. Caso contrário, algo muito grave pode ocorrer, prejudicando ainda mais a já tão fragilizada democracia brasileira. Esse passo precisa ser dado também pelas lideranças políticas, que precisam parar de inflar seus militantes com esse discurso de ódio e de divisão do país, de “nós contra eles”. A violência e a agressão não podem ser naturalizadas. A liberdade de expressão é a maior conquista de um povo e não pode ser colocada em risco.