OPINIÃO

min de leitura - #

Conscientização é base da saúde preventiva

Da Redação

| Edição de 10 de fevereiro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.


Autarquia Municipal da Saúde de Apucarana divulgou nesta semana um dado alarmante. Dez mulheres morreram no ano passado vítimas de câncer de colo de útero no município. Os dados são preliminares e podem aumentar, visto que novas notificações ainda podem ser encaminhadas. O alarmante desses números, segundo a própria AMS é a baixa quantidade de mulheres que têm realizado o exame preventivo no município. Os índices neste tipo de controle são feitos através da razão entre a quantidade de mulheres que efetiva o exame e o total da população na faixa etária em que o exame é indicado - no caso mulheres entre 25 e 64 anos. Apucarana, segundo a AMS tem uma razão de 0,38, muito abaixo da média nacional de 0,68.
Para a AMS, falta campanha de conscientização para alertar da importância do exame. Ao contrário do câncer de mama, que tem uma grande mobilização nacional realizada em outubro, a prevenção do câncer de colo de útero não tem a mesma popularidade.
O câncer de colo de útero é o terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Como em outras formas de câncer, o diagnóstico precoce é fundamental na sobrevida das pacientes.
Bem por isso, o Ministério da Saúde adotou em 2013 a vacina contra o HPV no programa nacional de vacinação. O Papilomavírus Humano está entre as principais causas do câncer de colo de útero. A inclusão da vacina - que recentemente foi ampliada para o público masculino como forma de prevenção de câncer de pênis, gargante e ânus - também não encontrou a receptividade esperado junto à população. O índice de cobertura desta vacina é um dos menores do calendário. Reportagem publicada pela Tribuna em abril do ano passado, alertava para a baixa procura do imunizante na região. Um terço das meninas vacinadas não tinham completado o ciclo de imunização no ano passado. A vacina, em duas doses, é indicada para meninas de 9 a 13 anos como forma de barrar a possibilidade de contágio do vírus.
Ou seja, falta conscientização nas duas mais importantes frentes de prevenção da doença - a vacinação das meninas - e o exame nas mulheres adultas.
Não pode haver uma escala de prevenção e preocupação entre as doenças quando o assunto é saúde. Ao contrário do auto exame das mamas, que pode ser feito pela mulher, o preventivo do câncer de colo de útero é feito na rede de saúde. Uma dos motivos para que essa cobertura do exame seja tão baixa está relacionada com a relutância das mulheres em comparecer na rede de atenção básica para a coleta do material, em exame íntimo. E preciso sim discutir mais sobre o assunto. O que não pode continuar acontecendo é o exame de colo de útero continuar sendo tratado como tabu. Conscientizar é preciso.