OPINIÃO

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Conter o crack depende de ação integrada e urgente

Da redação

| Edição de 03 de junho de 2017 | Atualizado em 02 de junho de 2017

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O crack é um problema de envergadura nacional. Novamente em destaque na pauta de discussão desde a desastrada intervenção na capital paulista que, na tentativa de eliminar e tratar do pesadelo da cracolândia, acabou espalhando usuários e novos pontos de tráfico e consumo pela cidade, além de expor um sem número de tragédias pessoais e familiares, as medidas de combate à drogadição exigem uma resposta mais sistematizada em várias esferas.
Famosa – virou inclusive tema minissérie televisiva, a cracolândia paulista está longe de ser um caso isolado ou fruto de um conjunto de fatores encontrados em grandes centros urbanos. A realidade mostra que o crack está aqui e ali, que está em todo o país e que avança assustadoramente nas cidades de pequeno porte.
Um mapeamento organizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) através do Observatório do Crack mostra quanto a droga vem se interiorizando. A ferramenta criada pelo CNM nada mais é que uma interface que possibilita que os gestores municipais exponham os efeitos do crack em suas comunidades. O sistema é alimentado pelas prefeituras e classifica em que grau o avanço da droga está relacionado com a criminalidade, a demanda de ações de saúde e assistência social, entre outros problemas decorrentes do tráfico e uso da droga.
Na região, dos 27 municípios, 23, o que equivale a 85%, relataram problemas. Destes, 58% classificaram problemas entre níveis médios ou alto. 
Ou seja, a demanda é grande e a tendência é que ela aumente e traga cada vez mais demandas aos municípios, inclusive os menores e exatamente os mais desassistidos tanto em termos de rede de atenção psicossocial - na área da 16ª Regional de Saúde, apenas Apucarana e Arapongas contam com Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD) - como em relação ao efetivo de segurança necessário para coibir o tráfico e os crimes decorrentes da drogadição. Não é preciso dizer que os números, tanto em um quanto no outro setor,  são insuficientes. Como bem mostrou a experiência paulista na cracolândia, combater a drogadição não é tarefa simples que se resolva em um dia ou dois. 
O Brasil precisa de um esforço conjunto e sistemático para tratar do crack. Um esforço, inclusive, que já foi anunciado e lançado em 2011, na gestão de Dilma Rousseff. O Plano Nacional de Combate ao Crack, que estimava investimentos de R$ 4 bilhões em reforço na rede de atendimento com qualificação de agentes de saúde, combate ao tráfico e prevenção. O combate ao crack voltou a ser citado em outro plano, o Plano Nacional de Segurança, anunciado pelo ministro Alexandre de Moraes em curta passagem pelo Ministério da Justiça. 
Enquanto esses planos permanecem na fase de projetos, cabe aos municípios e às prefeituras enfrentar o desafio de conter o avanço das drogas. Uma relação injusta e ineficiente que precisa ser urgentemente repensada sob o risco das cracolândias virarem um problema de dimensões assustadoras em várias cidades.