OPINIÃO

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Conter o tráfico de drogas exige atuações conjuntas

Da redação

| Edição de 09 de setembro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O volume de apreensões de drogas cresceu quase 400% em Apucarana entre janeiro e agosto deste ano no comparativo com o mesmo período do ano passado. A estatística é da Polícia Militar e refere-se ao volume tirado de circulação dos entorpecentes com maior circulação: maconha, cocaína e crack. 
Segundo o comando da PM, o crescimento das apreensões é reflexo de uma nova estratégia adotada pela corporação de priorizar o combate a este tipo de crime. A política de ‘tolerância zero’ em relação às drogas tem efeitos também nas estatísticas referentes ao número de prisões tanto pelo enquadramento do crime de tráfico quanto por uso de entorpecentes. Entre janeiro e julho deste ano, 468 pessoas foram detidas por este motivo em Apucarana. O número é 179% maior que no ano passado e implica em uma média de mais de duas prisões por dia.
Combater o tráfico é combater, de forma paralela, outros tipos de crimes. Está no usuário que não consegue sustentar o vício que rouba e furta para trocar por entorpecentes, no carro roubado por traficantes para trazer drogas do Paraguai, na receptação daquele produto furtado e trocado nas biqueiras e está também no homicídio de acerto de contas do traficante.
Recentemente, a cidade acompanhou, estarrecida, detalhes envolvendo assassinatos e esquartejamentos de duas pessoas no Parque Bela Vista motivados por dívidas de drogas. Entre os presos por este crime horrendo estão duas pessoas que, segundo a Polícia Civil, por dever ao tráfico se prestaram ao papel de fazer as covas para enterrar as vítimas e, depois, desenterrar e transportar os corpos.
Ao combater o tráfico, a polícia cumpre o papel que lhe cabe na engrenagem de segurança, mas resolver efetivamente o problema exige ações que envolvem outras áreas que, infelizmente, não ‘conversam’ entre si de forma a evitar a reincidência tanto em relação aos criminosos quanto em relação aos usuários.
Presos em flagrante sendo soltos na sequência e presos novamente são um círculo vicioso sem fim neste país. 
De outro lado, o tratamento que se dá ao usuário de drogas praticamente inexiste na rede pública de saúde. Sem tratamento adequado, as chances do usuário deixar de ser usuário são drasticamente reduzidas, no entanto, a possibilidade do usuário virar criminoso são bastante reais.
Conter o tráfico não pode ser responsabilidade exclusiva dos órgãos de segurança ou a sociedade continuará sempre à mercê da criminalidade.