OPINIÃO

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Coronavírus tem tratamento?

Médico e presidente da Associação Médica de Apucarana

| Edição de 10 de julho de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A infecção pelo covid-19 tem feito um grande número de vítimas ao redor do mundo. Alguns tratamentos foram propostos, mas não tínhamos consenso na comunidade médica sobre o que seria eficiente para tratar essa doença nova, que parece desafiar os nossos conhecimentos e a nossa maneira de abordar as viroses.
Desde o início dessa pandemia, tivemos o anúncio pelo Presidente Donald Trump, dos Estados Unidos da América, e pelo Presidente Jair Messias Bolsonaro, do Brasil, que um medicamento no caso a hidroxicloroquina, seria eficiente no tratamento. A partir daí uma polêmica se instalou, com grupos dizendo que o remédio não servia para nada e outros ainda, como um grupo de Manaus no Amazonas, que publicou um trabalho no qual mostrou resultado piores nos pacientes tratados com hidroxicloroquina em relação aos indivíduos com tratamento convencional. Porém, esse e outros trabalhos foram severamente contestados, porque os pesquisadores usaram doses muito superiores ao recomentado na literatura e iniciaram o tratamento na fase tardia, com pacientes entubados e com grave comprometimento pulmonar o que invalida as suas conclusões. 
Em outros centros médicos, a hidroxicloroquina foi considerada uma interferência política e recebeu no Brasil até o título de ‘remédio do presidente’, sendo por esse motivo excluído dos protocolos de tratamentos. E também por falta de trabalhos científicos que comprovassem a sua eficácia contra o Covid 19 e quantificasse os seus efeitos colaterais.
Com o aumento do número de infectados e doentes, várias pesquisas ao redor do mundo e também no Brasil mostraram resultados animadores, principalmente em Madri, na Espanha, em Marselha, na França, em Bérgamo, Itália, e Belém do Pará. Esses protocolos são baseados no início do tratamento na fase precoce, até o 5º dia do início dos sintomas, (mesmo sem o resultado dos exames), realizado com esquema tríplice, usando hidroxicloroquina, azitromicina e zinco e na dependência de alterações na tomografia do tórax, podendo ser necessário adicionar enoxiparina, um anticoagulante.
Esse protocolo foi usado desde o mês de março em Porto Feliz (SP) com sucesso, e lá também adotou-se tratamento profilático com ivermectina para as pessoas que tiveram contato com os doentes. Essa profilaxia foi estendida a todos os profissionais de saúde da cidade, que não teve nenhum deles contaminados pelo vírus. 
Diante desses fatos, gostaríamos que os nossos gestores da saúde coletiva mudassem a sua forma de pensar, sugerindo à população que procurasse o ambulatório específico para Covid-19, nos primeiros sintomas e lá recebessem este protocolo, após a avaliação clínica e para que aqueles pacientes que não tivessem contra indicações (por exemplo, cardiopatas graves). Desse modo, podendo adotar precocemente o tratamento com o esquema tríplice, caso os médicos julgarem necessário. 
Enfim, lembramos a todos que não devemos tomar remédios sem antes consultar o médico, que irá determinar as doses e a duração dos esquemas terapêuticos, visando a segurança de todos. Sim, já temos um tratamento para o coronavírus.