O bullying precisa ser tratado com seriedade. É um problema grave, principalmente no ambiente escolar, e que pode trazer consequências trágicas. O caso registrado em Goiânia é o exemplo mais recente. Um garoto de 14 anos matou a tiros dois colegas e feriu outros quatro na semana passada. O menino alegou que sofria bullying na escola.
Infelizmente, muitas pessoas ainda são desinformadas em relação ao tema. Há, inclusive, algumas que consideram o bullying como uma “frescura” desses adolescentes. Isso é um equívoco imenso. O bullying ou o cyberbullying são caracterizados por agressões físicas (bater, chutar ou tomar pertences) e verbais (insultar ou dar apelidos pejorativos e discriminatórios que constrangem a vítima). Há um relacionamento marcado por um desequilíbrio de poder entre os envolvidos, dificultando a defesa da vítima.
Um relatório recente divulgado pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) aponta que 17,5% dos alunos brasileiros, incluídos na faixa etária dos 15 anos, são alvos de bullying pelo menos uma vez por mês.
Segundo o Núcleo Regional de Educação (NRE), de Apucarana, o problema é corriqueiro nas salas de aula. A ouvidoria do NRE acompanha vários casos e procura contornar o problema, evitando consequências mais graves. No Paraná, o tema é abordado em sala de aula. Existe um trabalho institucionalizado para combater o bullying nas escolas estaduais.
Esse trabalho é importante. A presidente da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee), Marilene Proença, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), assinala que a violência física ou psicológica, intencional e repetitiva, é capaz de fragilizar um jovem a ponto de levá-lo a extremos contra si próprio ou contra terceiros. O problema, no entanto, não pode ser individualizado nos autores dessas violências, mas precisa ser analisado de forma sociológica.
É verdade que o assédio escolar é um problema histórico. As crianças e adolescentes considerados “diferentes” são o alvo principal, como o menino ou a menina de óculos, o gordinho, o estudioso, etc.
No entanto, é um problema que exige uma reflexão profunda e uma revisão dos modelos de educação dos nossos filhos. O enfrentamento do bullying deve fazer parte dos objetivos de pais e educadores. É um gesto, acima de tudo, de educação. É necessário preparar desde cedo as crianças para conviver e respeitar as diferenças. É algo essencial para reverter esse quadro de violência física e psicológica nas escolas.