OPINIÃO

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Debandada do PMDB fortalece impeachment

Tribuna do Norte

| Edição de 29 de março de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A presidente Dilma Rousseff (PT) enfrenta hoje mais um dia decisivo para a sua sobrevivência no cargo. O PMDB, antigo aliado, deve confirmar a sua saída do governo, em reunião do diretório nacional do partido, em Brasília. Caso isso se confirme, é o que pode ser chamado de “início do fim”.

O clima é de apreensão no Palácio do Planalto com esse encontro de hoje. Com a saída do PMDB, é praticamente certo que outros partidos da frágil base de sustentação petista também anunciem oficialmente que estão fora do governo, começando pelo PP, que há tempos já sinaliza nesse sentido.

Na quinta-feira passada, o PMDB do Rio de Janeiro anunciou que votará pela debandada do governo. A ala fluminense do partido era a mais governista de todas e a sua sinalização pelo rompimento é simbólica. Ontem, o vice-presidente Michel Temer confirmou que o rompimento é “irreversível”. Com isso, a possibilidade de impeachment ganha força no processo que está tramitando na Câmara dos Deputados. Sem o apoio do PMDB, o governo não terá forças de reverter a situação e o afastamento da petista é uma realidade cada vez mais concreta.

Por outro lado, o PMDB também se mostra oportunista nesse caso. A legenda, do vice-presidente Michel Temer, tem sua responsabilidade nessa crise política e econômica do País. Quanto tudo transcorria dentro de uma normalidade possível, os peemedebistas se lambuzaram com ministérios e cargos. Agora, que o barco está afundando de vez, o PMDB “pula fora”. Isto, no entanto, é política.

É fato também que a presidente Dilma colhe o que plantou no campo de alianças políticas. Alheia a articulações, a petista nunca privilegiou o diálogo e, na política partidária, esse tipo de comportamento é suicida. Há muito tempo que muitos peemedebistas cobravam um rompimento com a legenda, que agora está prestes a se confirmar oficialmente.

Essa situação mostra, mais uma vez, a fragilidade e a falta de sustentação desse governo, que não consegue arregimentar nem seus velhos aliados. Assim, a possibilidade de afastamento de Dilma ganha mais força a cada dia. É um caminho natural diante do caos político vigente.