Novos áudios surgem a cada dia no país mostrando o corporativismo e a promiscuidade reinante entre os políticos. Sem constrangimento, deputados, senadores e ministros aplicam um verdadeiro vale-tudo para se manter no poder, mesmo que isso implique articular contra operações de investigação de desvios de recursos, como é o caso da Lava Jato, e tentar barrar condenações judiciais. É algo que envergonha o Brasil.
Uma série de conversas gravadas pelo ex-senador e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, está sacudindo o país. Em trechos trazidos a público até agora, há uma clara tentativa de calar a Lava Jato e também o juiz federal Sérgio Moro. Há um interesse generalizado de políticos, temerosos com o desdobramento das denúncias e delações em curso.
As gravações mais recentes contêm conversas de uma reunião na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com a participação do atual ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, quando ele ainda era conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na conversa houve troca de reclamações sobre a Justiça e a operação Lava Jato. Na gravação, o agora ministro Fabiano Silveira faz críticas à condução da Lava Jato pela Procuradoria Geral da República (PGR) e dá conselhos a investigados na operação. É uma situação preocupante, afinal, ele é simplesmente o ministro da Transparência, responsável pela fiscalização, controle e ações do governo para combate à corrupção.
Essas gravações mostram o desespero de políticos do alto escalão do Brasil. Ele estão visivelmente amedrontados e contrariados com as investigações. Esses parlamentares e detentores de cargos públicos não se constrangem em tentar intimidar novas ações de investigação e insinuam, inclusive, articulações com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta corte do país, para barrar a Lava Jato ou outras apurações em curso.
Essa conduta é extremamente revoltante. A Operação Lava Jato revelou um grande esquema de corrupção e conseguiu que mais de R$ 6 bilhões voltassem para os cofres públicos até agora. Após anos e anos de impunidade, políticos e empresários foram parar na cadeia por causa desses desvios. A classe política, em vez de aplaudir, tenta acabar com esse trabalho fundamental de passar o país a limpo.
É um instinto de defesa desses políticos, afinal, uma grande parcela dos parlamentares e ex-parlamentares foi beneficiada com recursos de origem espúria. Isso explica suas campanhas milionárias e também a mudança de patamar social de muitos deles.
A degradação moral da classe política só aumenta com a divulgação desses áudios. Embora não representem crimes efetivamente, essas conversas mostram, no mínimo, a cumplicidade com quem os pratica.