OPINIÃO

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Delação revela falência moral da classe política

Tribuna do Norte

| Edição de 18 de junho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A delação premiada feita pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, está sacudindo a política nacional. Mesmo que ainda faltem mais evidências e provas concretas sobre as denúncias de propinas envolvendo inúmeros deputados e senadores, as informações tornadas públicas nos últimos dias reforçam o sentimento de degradação moral dos nossos representantes em Brasília.

É praticamente indiscutível e inegável a engenharia de corrupção que rege os poderes Executivo e Legislativo há décadas, baseada em desvios de recursos, financiamentos ilícitos de campanha, enriquecimento ilícito e troca de favores. Tudo isso com dinheiro do cidadão.

Três ministros do governo Michel Temer (PMDB) já caíram num intervalo de 35 dias. Anteontem, Henrique Alves, do Turismo, pediu demissão. Ele foi citado na delação de Machado e teria recebido mais de R$ 1,5 milhão em propina. Henrique Alves não foi o único. Há uma gama de políticos envolvidos pelo delator no esquema milionário, centrado no favorecimento a empresas em licitações e contratos com o governo.

Vários caciques da política nacional fazem parte da denúncia de Machado, incluindo o presidente interino Michel Temer e pelo menos mais 20 políticos de diferentes partidos, passando por PMDB, PT, PP, DEM, PSDB e PSB. O PMDB foi o que mais arrecadou via Transpetro: cerca de R$ 100 milhões. José Sarney e Renan Calheiros estão na lista, além do paranaense Roberto Requião. Todos negam as acusações de forma veemente e consideram as denúncias feitas por Machado “descabidas” e “absurdas”.

No entanto, chama atenção que o delator está sendo didático nas suas denúncias. Além de indicar valores repassados, ele enumera datas e locais de encontros. Segundo ele, esse esquema ilícito de financiamento de campanhas eleitorais e de enriquecimento de políticos e servidores corruptos ocorre deste 1946. Além dos políticos, a corrupção conta com participação de empresários prestadores de serviços ao governo. As propinas eram incluídas, é claro, no custo do serviço prestado. Ou seja, as obras eram superfaturadas e o custo ficava com o contribuinte brasileiro.

Essas revelações geram indignação, evidentemente. A população brasileira se pergunta: haverá algum político que não esteja envolvido no esquema de propinas? Afinal, a cada surgem novos e novos nomes. Certamente, sim. No entanto, é um contingente muito pequeno. A honestidade está em falta no Congresso. E não é de hoje.