OPINIÃO

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Denúncias de corrupção geram indignação no país

Da Redação

| Edição de 14 de abril de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Praticamente em tempo real, o brasileiro assiste estarrecido aos desdobramentos da “delação do fim do mundo”, como ficou conhecido o acordo de delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht, herdeiro do Grupo Odebrecht, com a Justiça Federal. Por décadas, a empresa venceu as licitações das principais obras do país. No entanto, esse bom desempenho nos certames estava relacionado a uma vasta rede de corrupção, com pagamento de propinas milionárias a políticos de praticamente todos os partidos. 

O escândalo ganhou um novo capítulo nesta semana, com a divulgação da “lista de Fachin”. São 98 políticos que serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava Jato, que tem na sua relatoria o ministro Edson Fachin. Entre eles estão oito ministros do governo Michel Temer (PMDB), três governadores, 29 senadores e 49 deputados. Serão ainda investigados outros nove governadores, mas seus inquéritos foram encaminhados para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que é o foro adequado. Os outros três ficarão no STF porque seus supostos crimes ocorreram quando eles mantinham atividades parlamentares em Brasília. 

A ampla divulgação da delação do empresário Marcelo Odebrecht chama atenção para a riqueza de detalhes para explicar o pagamento das propinas. São cifras milionárias, que geram indignação, envolvendo desde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até o tucano Aécio Neves. Michel Temer também é citado, mas escapou da investigação graças a prerrogativa legal do presidente da República não ser investigado. 

Pela primeira vez na história do país, a população brasileira tem a oportunidade de acompanhar detalhadamente todas as denúncias. O fim do sigilo é importante nesse contexto. A sociedade tem o direito de saber tudo sobre as investigações e os depoimentos. 

A corrupção está sendo dissecada pela Operação Lava Jato. Por um lado, é histórico; por outro, é desesperador perceber que poucos políticos escapam. Inclusive, muitos citados na famigerada lista de Fachin saíram às ruas para protestar contra a corrupção usando camisas verde-amarelas... 

A população está indignada com essa corrupção que assola o Brasil. O depoimento do empresário Marcelo Odebrecht soa como uma afronta diante de tanta carência nesse país, quando ele fala naturalmente de milhões de reais repassados para parlamentares. 

Poucos políticos que pretendem concorrer em 2018 saíram ilesos. A Justiça precisa agir rapidamente para tirá-los de cena das próximas eleições. Essa oportunidade de passar o país a limpo não pode ser desperdiçada.