A desigualdade salarial entre homens e mulheres precisa ser combatida no Brasil. O assunto ganhou evidência nos últimos anos no país, a partir da mobilização do movimento feminista. Estudos comprovam essa necessidade de acabar com essas diferenças motivadas simplesmente pelo gênero. As relações de trabalho estão contaminadas pela discriminação sexual, o que se reflete nos diferentes salários recebidos por homens e mulheres.
No ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o salário médio pago às mulheres foi apenas 77,5% do rendimento dos homens no Brasil. Enquanto eles receberam R$ 2.410, elas ganharam R$ 1.868. A porcentagem ficou levemente acima da registrada em 2016 (77,2%).
A Tribuna levantou os dados locais, com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), instrumento de coleta de dados do Ministério do Trabalho. Na região, houve queda na desigualdade entre os gêneros no mercado de trabalho. Em dois dos 27 municípios da região (Rosário de Ivaí e Ariranha do Ivaí), as trabalhadoras femininas ganham mais do que a força de trabalho masculina.
Em 2016, de acordo com a Rais, as mulheres com carteira assinada nos 26 municípios do Vale do Ivaí mais Arapongas ganhavam, em média, um salário de R$ 1.646,11. Este valor equivalia a 82,8% da média salarial masculina, que era de R$ 1.989,23. No ano seguinte, o salário médio feminino avançou 7,2%, chegando a R$ 1.765,02. Já o salário dos homens cresceu 6,4%, atingindo o patamar de R$ 2.116,55. Com isso, os ganhos das mulheres passaram a equivaler a 83,4% da média dos homens, uma redução de 0,6% na desigualdade entre os sexos.
Os dados mostram que o salário feminino na região está bem acima da média nacional. No entanto, é preciso avançar. A situação das mulheres no mercado de trabalhou melhorou, mas a questão salarial ainda é um desafio. Há mulheres que cumprem as mesmas funções profissionais que os homens, mas continuam recebendo menos por conta do gênero. É algo absolutamente inaceitável, que não tem mais espaço na sociedade.
As mulheres também convivem com a chamada ‘jornada tripla’: o trabalho formal, o cuidado com a casa e a educação dos filhos. Essa situação ainda reflete o machismo presente na sociedade, que coloca sob os ombros das mulheres as tarefas domésticas. Portanto, os números e a percepção social mostram que é preciso ainda evoluir muito na igualdade de gênero no País.