Com serviço de regulamentação do estacionamento rotativo encerrado desde dezembro, com o fim do contrato com a empresa terceirizada que explorava o rotativo de forma emergencial em Apucarana, encontrar uma vaga na área central se tornou uma empreitada ainda mais complicada que o habitual.
Reflexo direto disso, o festival de desrespeito à legislação só tem aumentado. A pedido da Tribuna, a Assessoria de Planejamento/Trânsito de Apucarana (Asplan/Trans) fez um levantamento das notificações emitidas por estacionamento irregular em fevereiro. O número foi 60% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo o órgão foram emitidas 174 multas por estacionamento irregular, notadamente em vaga exclusiva de deficientes físicos e idosos. O número de multas, aliás, não representa quase nada do universo de infrações diárias do trânsito. Fiscalizar o cumprimento da legislação referente a vagas exclusivas não é prioridade das forças de segurança, nem deve ser, principalmente tendo em vista os índices de crimes contra o patrimônio, entre outras infrações legais de maior potencial ofensivo à sociedade.
Infelizmente, no Brasil, o respeito às leis e, mais importante, ao próximo, é uma vivência social que ainda engatinha. Quem tem um deficiente físico na família sabe bem como o desrespeito às vagas exclusivas é uma realidade diária e como a variedade de pessoas que ignora a necessidade alheia é vasta. Assim como o repertório de desculpas dos infratores, que teimam em não ver as placas, que acreditam que ocupar o lugar ‘só por uns minutinhos’ não traz prejuízo para ninguém ou, ainda, questionam a necessidade de dar prioridade para este ou aquele grupo social.
Em resumo, se colocar no lugar do outro parece ser o principal desafio da sociedade moderna. Um desafio que não aparece apenas no desrespeito às vagas de deficientes e idosos, mas na vida diária como um todo.
Aparece no tratamento desrespeitoso na fila do banco, na perigosa disputa de pedestres e motoristas na faixa, no discurso de ódio que é regra das redes sociais, na invisibilidade da população carente, massacrada diariamente de várias formas.
É espantoso que para garantir direitos seja sempre necessário recorrer ao exercício da do poder de polícia estatal, na forma de multas, que quanto mais pesadas aparentemente mais eficazes. Neste sentido, urge que o município assuma essa responsabilidade e intensifique a fiscalização. A inclusão das vagas exclusivas foi um avanço na política de garantia de direitos para idosos e deficientes. Nada mais justo que essa garantia seja efetivamente cumprida.
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