O primeiro discurso do presidente interino Michel Temer (PMDB) apresentou ao país uma série de compromissos importantes e que podem fazer a diferença para reverter o quadro atual, de recessão e desemprego.
O aspecto mais positivo se refere à economia. Temer deixou claro que esse setor terá prioridade. E não poderia ser diferente. Afinal, o Brasil enfrenta um quadro grave e precisa voltar a crescer. O presidente interino sinalizou para uma mudança na política econômica, baseada na ênfase em parcerias público-privadas, garantindo, assim, a geração de mais empregos.
Outro ponto importante anunciado pelo presidente no seu breve discurso inicial, de pouco mais de 20 minutos, é o compromisso de enxugar a máquina pública. O governo da presidente Dilma Rousseff (PT) inflou os quadros. Os ministérios foram tomados por apaniguados, que pouco contribuíram ao longo dos anos com o país, e ajudaram a aumentar o rombo das finanças, recebendo, em muitos casos, polpudos vencimentos a cada mês.
O equilíbrio das contas fiscais é outra meta da gestão Temer. O governo Dilma renegou essa obrigação e isso gerou um custo muito alto. O país teve sua nota rebaixada por importantes agências e investidores “sumiram” com medo de aplicar recursos numa nação instável.
Ao se comprometer em reequilibrar as contas, Temer abre a possibilidade de atrair investidores, retomando a confiança na seriedade da política econômica brasileira.
Outros compromissos citados também merecem ser destacados, como a melhoria dos serviços públicos e também a revisão do pacto federativo. Ou seja, o presidente interino fez bem a lição de casa e interpretou de forma clara as necessidades do país.
No campo político, é inegável a pacificação. O novo ministério é composto por inúmeros partidos, muitos dos quais atuavam na oposição de Dilma. É o caso do PSDB, que indicou José Serra para a pasta de Relações Exteriores.
Ao contrário de Dilma, pouco afeita às articulações políticas, Temer é um profundo conhecedor do Congresso Nacional. Presidiu por três vezes a Câmara Federal e sabe como ninguém manobrar nos bastidores, algo fundamental para um presidente, mas que foi relegado pela petista.
No entanto, não há tempo a perder. Os discursos foram convincentes, Temer demonstrou segurança e conhecimento de causa, apresentou compromissos que trazem esperança, mas a população tem pressa. O povo está cansado de belas palavras. O presidente interino precisa “fazer acontecer” o mais rápido possível. Isso é essencial para o seu governo e para o Brasil.