A motivação dos estudantes pode ser justa, mas chegou a hora de iniciar a desocupação das escolas no Paraná. É uma questão de respeitar aqueles alunos que querem voltar a estudar, ainda mais com a possibilidade de fim da greve dos professores, que se reúnem amanhã em assembleia na capital do Estado, e também com a decisão do Ministério da Educação (MEC) de adiar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nestes colégios fechados por alunos.
As ocupações atingem 49 dos 114 colégios dos núcleos regionais de educação de Apucarana e Ivaiporã. Os estudantes criticam a proposta de reforma do ensino médio apresentada pelo governo federal. Acusados de manipulação, os adolescentes garantem que estão nas escolas por vontade própria, lutando pela retirada da medida provisória do presidente Michel Temer (PMDB).
Independente dessa polêmica, é fato que a mobilização não tem unanimidade. Há muitos pais e outros estudantes críticos aos protestos, temendo prejuízos na reta final de preparação do Enem. Um movimento chamado “Desocupa Paraná”, inclusive, já foi criado para contrapor o “Ocupa Paraná” que comanda as manifestações nas escolas paranaenses.
É preciso bom senso nesse momento. O governo estadual já garantiu que não irá adotar os pontos mais polêmicos da reforma do ensino médio anunciada, mantendo as disciplinas de artes e educação física, por exemplo, e também não colocando em prática a proposta de contratação de professores por “notório saber”.
De nada adianta manter essas ocupações sem a abertura de um canal de negociação com o governo federal. Chegou a um ponto que não há avanços e a manifestação acaba gerando um mal-estar na própria comunidade escolar.
Como já foi dito neste espaço, os estudantes têm todo o direito de se manifestar. Inclusive, esse tipo de mobilização é extremamente salutar nos casos em que não há manipulação de terceiros, pois mostra um resgate de uma politização perdida pelo movimento estudantil.
Por outro lado, a maioria dos estudantes não pode ser prejudicada. Com a negociação avançando entre governo estadual e a APP-Sindicato, que representa os professores, é hora de voltar à normalidade nas escolas. É possível manter o movimento desocupando as escolas. Basta tornar a mobilização permanente, utilizando outras formas de protesto e de negociação. As autoridades já perceberam o poder de mobilização da classe estudantil. É hora de mudar de estratégia, respeitando o direito de quem pretende voltar às salas de aula.