É preciso, definitivamente, repensar a situação da PR-444. De reponsabilidade da concessionária Viapar, essa rodovia estadual de pouco mais de 30 quilômetros é uma das mais violentas da região. Entre janeiro e julho deste ano, oito pessoas morreram em acidentes contra seis no mesmo período do ano passado, segundo dados da Polícia Rodoviária Estadual (PRE). No entanto, o número de óbitos é maior, já que o levantamento da PRE não leva em conta as mortes em hospitais, onde mais quatro pessoas perderam a vida em decorrência de ferimentos nas colisões, somando 12 vidas perdidas. Algo precisa ser feito.
É claro que a violência no trânsito tem como principal causa a imprudência e a imperícia dos motoristas. É inegável. Afinal, os flagrantes de irresponsabilidade ocorrem minuto a minuto em qualquer rodovia e não seria diferente na PR-444. Há excesso de velocidade e uma sucessão de ultrapassagens perigosas. Segundo a PRE, os radares flagram constantemente veículos acima de 200 km/h no trecho.
No entanto, essa rodovia tem algumas características que aumentam o risco. Isso também é inegável. A PR-444 é duplicada, mas não há um canteiro separando as pistas. Além disso, a rodovia tem problemas de geometria. Isso explica o número alto de acidentes nos quais os motoristas perdem o controle dos veículos e acabam invadindo a pista contrária. A maioria das colisões é dessa forma, o que aumenta significativamente o risco de mortes e feridos graves.
A situação piora em dias de chuva, pois a água se acumula na pista e, assim, ocorrem muitas aquaplanagens. Infelizmente, os socorristas já se mantêm em prontidão nessa rodovia, especialmente nesses dias. Com a rodovia molhada, os perigos se acentuam na PR-444 e as colisões são frequentes.
Esse quadro piora com o péssimo comportamento dos motoristas. Como o pavimento é bom, os condutores aceleram acima do permitido. Essa combinação é letal.
A concessionária Viapar tem conhecimento desses problemas e promete resolvê-los. A empresa diz que vai instalar uma divisão física entre as pistas, visando reduzir as colisões frontais.
Há, sem dúvida, algo errado. É inaceitável esse número alto de acidentes com mortes num trecho pequeno, de apenas 30 quilômetros. É preciso um trabalho conjunto, que corrija as imperfeições estruturais e aja de forma eficaz para reduzir o excesso de velocidade. A PR-444 não pode se transformar na “rodovia da morte” no interior do Estado.