O lixo é um dos grandes problemas da atualidade. Infelizmente, no Brasil, a maioria dos municípios não tem uma política de destinação correta dos resíduos. A coleta seletiva ainda é restrita. Com isso, milhões de toneladas de materiais recicláveis vão para lixões ou aterros sanitários quando poderiam ser reaproveitadas, gerando riqueza e renda, sem contar a redução dos impactos ao meio ambiente.
Um estudo divulgado no ano passado mostra que quase 170 milhões de brasileiros não são atendidos por coleta seletiva em suas cidades. Segundo a pesquisa, 1.055 municípios têm programas de coleta seletiva. Como o Brasil tem mais de 5 mil cidades, esse número representa apenas 18% do total. É um índice muito baixo.
Apucarana é um dos municípios contemplados com a coleta seletiva. No entanto, o programa ainda tem inúmeros desafios pela frente. Segundo a Cooperativa de Catadores de Apucarana (Cocap), cerca de 40% do lixo reciclável produzido na cidade não chega à entidade. São vários os motivos, como carência de estrutura da própria cooperativa para recolher o material e também a falta de conscientização da população.
Além disso, metade do volume recolhido não é aproveitada. Isso também por conta da falta de informação. Os moradores até realizam a separação, mas não fazem esse procedimento de forma correta. Caixinhas de leite, garrafas pet, latas de comida e demais produtos do gênero precisam, por exemplo, ser lavados antes de colocados para recolhimento dos caminhões da Cocap. Caso contrário, desenvolvem bactérias e mau cheiro, o que impossibilita a reciclagem.
Apucarana produz cerca de 500 toneladas de lixo reciclável por mês, segundo a cooperativa. Apenas 200 toneladas são recolhidas. As 300 restantes vão para o aterro sanitário. Além do enorme impacto ambiental, com a redução da vida útil do aterro sanitário, esse lixo deixa de gerar recursos para os cooperados.
A Cocap de Apucarana realiza um trabalho importante. É verdade que a cooperativa está passando por um processo de intervenção judicial, recuperando as finanças para poder voltar a atuar com a sua capacidade máxima. Esse quadro particular da cooperativa prejudicou também a coleta seletiva. No entanto, o maior desafio está em conscientizar a população. A separação do lixo reciclável precisa virar um hábito. Os pais devem ensinar os filhos e assim por diante. Somente dessa maneira será possível gerar uma cultura mais consciente em relação ao lixo. É inaceitável que continuemos desperdiçando toneladas de materiais que poderiam gerar riqueza, ajudando inúmeras famílias.