OPINIÃO

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É preciso discutir o suicídio para reduzir ocorrências

Da Redação

| Edição de 27 de abril de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O suicídio é um grande tabu, inclusive para a imprensa. No entanto, é preciso falar sobre o assunto diante do crescimento de casos na região. Apenas neste mês, 14 pessoas tiraram a própria vida na região, segundo levantamento do Instituto Médico Legal (IML), de Apucarana. Desde o começo do ano, são pelo menos 22 casos. Em 2017, segundo dados da 16ª Regional de Saúde (RS), 32 pessoas cometeram suicídio. 

É preciso buscar meios de reduzir esse número alto de ocorrências. Diante do aumento de mortes autoprovocadas, a 16ª RS decidiu elaborar um plano estratégico para tratar do assunto. Isso envolve orientação aos profissionais de saúde mental dos 17 municípios pertencentes ao órgão e também orientação à imprensa. O objetivo é buscar uma forma de abordar o assunto sem estimular a prática. 
O suicídio é um problema de saúde pública. É um tema evidentemente complexo, que espelha fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais e também culturais. 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que ocorram, no Brasil, 12 mil suicídios por ano. No mundo, são mais de 800 mil ocorrências, isto é, uma morte por suicídio a cada 40 segundos, conforme o primeiro relatório mundial sobre o tema, divulgado pela OMS, em 2014.
Em geral, a vontade de acabar com a própria vida é provocada pela falta absoluta de perspectiva e uma enorme sensação de desamparo e angústia. O que não se destaca é que, na maioria dos casos, o radical desejo é gerado por um quadro de transtorno mental tratável, como depressão, transtorno bipolar afetivo, esquizofrenia, quadros psicóticos graves e transtornos de personalidade. 
Por isso, a importância de debater o assunto e delimitar os sinais que podem ser observados nas pessoas com potencial suicida. A partir daí, é possível ajudar as pessoas. Segundo estudos, em apenas 3% dos casos não há diagnóstico de algum transtorno psíquico ou problemas com drogas, álcool e outras substâncias. 
O bem-estar mental precisa ganhar mais espaço no debate da saúde pública. É um assunto que precisa ser tratado com toda seriedade. Viver é uma tarefa complicada muitas vezes, por isso, é preciso se fortalecer emocionalmente. Ajudar as pessoas com os sinais de depressão e tristeza profunda é fundamental. A maioria dos suicídios é evitável, por isso, a importância de tratar o assunto com urgência e seriedade.