Apesar do alto risco, tanto em termos de saúde, quando social, a gravidez em meninas de menos de 15 anos continua sendo um problema e um desafio no Brasil. Ao contrário do que ocorre em outras faixas etárias, que vêm registrando quedas até expressivas, nesta, os avanços praticamente inexistem.
Segundo dados do Ministério da Saúde, enquanto o índice de bebês que nascem de mães entre 15 e 19 anos passou de 20,1% do total de nascimentos em 2007 para 16,7%, em 2016, a mudança é lenta na faixa etária das mães mais jovens.
Nesse mesmo período, a taxa de bebês nascidos de meninas entre 10 e 14 anos oscilou de 0,94% para 0,85%, segundo dados do Ministério da Saúde. Dos 2,8 milhões de bebês nascidos em 2016, 23,9 mil são filhos de mães com essa idade.
Na região, segundo dados 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana, foram registradas 34 gestações entre meninas 10 e 14 anos em 2017. Apesar do pouco impacto em relação ao total geral de gestações nos municípios - no ano passado foram registrados 4,9 mil nascimentos na região -, os casos revelam uma realidade preocupante.
Apesar da idade não colocar mais automaticamente a gravidez de menores de 15 anos como de risco em termos de saúde, a idade precoce das futuras mães faz com que o órgãos de saúde estabeleçam uma rede de atenção e acompanhamento. Independente da questão de saúde, os problemas sociais decorrentes da maternidade precoce dificilmente são revertidos.
Na verdade, esses números revelam uma série de falhas em relação a essas jovens. Essas gestações demonstram a falta de informação, educação, acesso a anticoncepcionais e proteção contra a violência sexual e a vulnerabilidade social que está relacionada a uma parcela significativa das adolescentes que engravidam.
A jovem entrevistada pela reportagem da Tribuna é um exemplo. Treze anos, órfã de pai e mãe, mora com a irmã na periferia e vai enfrentar enormes dificuldades após o nascimento da criança.
A gravidez precoce não é um problema que se resume à mortalidade infantil - vale dizer que nessa faixa etária os índices mortes fetais, baixo peso ao nascer e prematuridade são todos acima da média -, mas que se estende em relação à interrupção dos estudos da mãe, a queda da renda familiar da família da adolescente, a saúde e o cuidado relacionado
ao recém-nascido. É um círculo vicioso que, não raro, ultrapassa gerações, tendo em vista que em muitos casos, a adolescente também é fruto de uma gravidez precoce. É preciso, urgentemente, quebrar esse ciclo de desinformação e vulnerabilidade.
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