OPINIÃO

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Educação no trânsito deve ganhar mais espaço no país

Da Redação

| Edição de 02 de outubro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Tornar o trânsito brasileiro mais seguro depende quase que exclusivamente da mudança de comportamento dos motoristas. Por isso, a importância de conscientizar as futuras gerações. O número de acidentes com mortes nas ruas e rodovias brasileiras mostra que isso é urgente. 

No ano passado, 41.151 pessoas morreram no trânsito no país. O número é 23% maior em relação a 2016, quando 33.547 perderam a vida. A violência do trânsito provocou um impacto econômico de R$ 199 bilhões no ano passado, ou 3,04% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. O valor corresponde ao que seria gerado pelo trabalho das vítimas, caso não tivessem se acidentado, segundo dados do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (Cpes), órgão da Escola Nacional de Seguros. O fator que mede a perda da capacidade produtiva é chamado de Valor Estatístico da Vida (VEV), ou seja, o quanto cada brasileiro é capaz de produzir em vida.
Esses dados são alarmantes e reforçam a necessidade de buscar alternativas. No entanto, é uma missão complexa, que exige, principalmente, a formação de um novo perfil de motoristas, ciclistas e pedestres. 
Diante desse contexto, Arapongas serve como modelo pelo projeto de educação no trânsito. O município ganhou há um mês e meio a Escolinha de Trânsito e Cidadania Sargento Benedito de Oliveira, que já recebeu 750 estudantes na sede da 7ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM). 
O projeto é desenvolvido desde 2011 e agora foi ampliado. De forma lúdica, os alunos aprendem em uma aula teórica e prática de duas horas e meia como se portar no trânsito como motoristas, pedestres ou ciclistas. A escolinha tem como objetivo inserir a educação de trânsito logo cedo na rotina dos estudantes de colégios estaduais e particulares. 
A estrutura da escolinha permite um aprendizado completo, já que o local possui uma pista educativa, em uma área de 1700 m², que simula em uma escala reduzida as condições do trânsito da cidade. A pista inclui a sinalização horizontal, vertical e semafórica, contando com três carrinhos elétricos doados pelo Instituto Renault, bicicletas, capacetes e outros acessórios, que auxiliam nos trabalhos. 
Esse é o caminho para mudar a realidade. É claro que melhorias em infraestrutura e maior rigor da legislação são importantes. No entanto, somente mudando a cultura no trânsito será possível alcançar resultados positivos. As novas gerações de motoristas precisam ser trabalhadas hoje. Somente com educação e conscientização será possível acabar com tragédias causadas por motoristas bêbados, que desrespeitam limites de velocidade ou fazem ultrapassagens em locais proibidos.