OPINIÃO

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Eleito, Jair Bolsonaro precisará agora unir o pais

Da Redação

| Edição de 30 de outubro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Eleito presidente da República no último domingo com mais de 57,7 milhões de votos, Jair Bolsonaro (PSD) terá um grande desafio pela frente. O principal será tentar unir o país, que saiu das urnas completamente dividido. Bolsonaro superou nas urnas o petista Fernando Haddad, que obteve 47 milhões dos votos.

A vitória do candidato do PSL é uma clara resposta da sociedade ao PT. A maioria do eleitorado depositou na urna um voto de repúdio aos últimos governos petistas, que terminaram com graves de denúncias de corrupção e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – encarcerado em Curitiba na Operação Lava Jato -, além de falhas grotescas de gestão e uma série de irregularidades, que redundaram no impeachment da presidente Dilma Rousseff e jogaram o país em uma crise econômica sem precedentes. O sentimento antipetista, sem dúvida, dominou a eleição de 2018 e teve um impacto decisivo no resultado da votação.
O triunfo de Bolsonaro também comprova essa guinada à direita no Brasil. Além do novo presidente da República, o PSL elegeu inúmeros deputados estaduais e federais, o que mostra que o eleitorado está em sintonia com esse discurso conservador, que defende a família tradicional; exige foco na segurança do cidadão, facilitando o acesso das pessoas às armas; e também considera essencial uma intervenção mais forte na educação, com inserção de valores éticos e morais na formação das crianças coadunados com o pensamento de direita.
Por outro lado, o resultado da eleição deixou claro que há um enorme contingente do eleitorado contrário a essa visão política e ideológica. Haddad recebeu 47 milhões de votos, o que representa 44,87% do eleitorado - o presidente eleito somou 55,13%. É um número significativo de eleitores. Bolsonaro precisará ter habilidade política para fazer um governo plural, para todos os brasileiros, e romper essa dicotomia que hoje parece intransponível.
Por fim, a democracia prevaleceu. As urnas mostraram a vontade popular de mudança. A larga vantagem de Bolsonaro também comprovou que as teses de fraudes eleitorais não tinham nenhuma sustentação a não ser a ânsia de ver seu candidato eleito. 
Cabe agora ao novo presidente da República a prudência necessária para fazer o governo que os seus eleitores esperam, mas também que respeite a Constituição e os direitos de todos os cidadãos, o que inclui milhões de brasileiros que ficaram do outro lado. Essa é a beleza maior da democracia, que nunca poderá ser esquecida