Nesta semana, o preço do botijão de gás sofreu o quinto reajuste em 35 dias. No acumulado do período, houve elevação de 49,3% no produto nas refinarias. Ao consumidor final, desde o início do ano, preço do gás cresceu de 50%. A última alta, de 12,9%, começou a valer na última quarta-feira, o que implica que – dependendo do estoque de cada revenda – o botijão de 13 quilos pode chegar a R$ 80 nos próximos dias.
Dentro da nova política de preços adotada pela Petrobras, implantada também no setor de combustíveis, os reajustes vêm sendo anunciados de acordo com as oscilações do mercado internacional.
Em nota, ao anunciar o aumento, a empresa acrescentou que, como a legislação brasileira "garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, as revisões feitas nas refinarias podem ou não se refletir no preço final ao consumidor". O fato é que, a exemplo do que ocorre em relação aos combustíveis o repasse vai sim ocorrer. De modo geral, só não há repasse quando é anunciada a queda do produto.
Além de pesar no bolso do consumidor, o reajuste do gás vai refletir também nos índices oficiais de inflação do país. Segundo estimativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o aumento do gás de cozinha pode elevar a inflação de 2017 em 0,12 ponto percentual, caso o reajuste seja totalmente repassado ao consumidor.
Além do gás, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) do próximo mês vem sendo pressionado por outro item de uso diário da população: a energia elétrica. Em razão da mudança de bandeira amarela para vermelha - esquema criado para compensar o custo extra da energia e salvaguardar o equilíbrio financeiro das concessionárias -, as contas de luz terão um acréscimo de R$ 3,50 por cada 100 Kw/h consumidos - um aumento de 75% nessa tarifa adicional.
Gás e energia elétrica, como se sabe, estão entre os insumos que geram efeito cascata em outros setores da economia.
O aumento do gás, por exemplo, impacta diretamente no setor de alimentação, pressionando preços de restaurantes, padarias e lanchonetes. A alta do custo da energia elétrica, de outro lado, também traz impactos para um leque ainda maior de setores, do ar condicionado do shopping às máquinas das indústrias, tudo necessita de energia.
Em uma economia tão fragilizada quanto a atual, qualquer impacto a mais afeta diretamente o consumo e a intenção de consumo da população. A crise energética, que chegou praticamente junto com a crise econômica, vem dando sinais de alerta há anos. Apenas adotar uma nova política de preços para gás, combustíveis e energia elétrica não vai resolver o problema. É preciso ir além disso, ou se coloca em risco tímida retomada da economia.