Apucarana realizou na última sexta-feira o Dia Nacional de Inclusão Social e Profissional das Pessoas com Deficiência e dos Beneficiários Reabilitados do INSS. Foram 22 vagas de empregos em sete empresas colocadas à disposição para pessoas com algum tipo de deficiência. No entanto, apenas seis candidatos apareceram na Agência do Trabalhador para participar das entrevistas e buscar colocação profissional.
A baixa demanda reabre a discussão sobre o assunto. Há vagas disponíveis, mas a maioria das empresas não consegue cumprir a Lei 8213/91, que trata deste tipo de contratação. Essa legislação obriga as empresas com mais de 100 funcionários a incluírem pessoas com deficiência ou beneficiários reabilitados no seu quadro de efetivos. Quem não cumprir a determinação, pode sofrer algumas sanções.
No entanto, as cotas não são preenchidas na maioria dos casos. Há inúmeras razões para esse desinteresse. O principal problema se refere à falta de capacitação dos candidatos e na dificuldade de adaptação das empresas. Outro problema é a baixa remuneração e as más condições de trabalho oferecidas, sem contar a instabilidade. Com isso, muitos deficientes preferem seguir recebendo o benefício do que buscar uma vaga que pode ser cortada a qualquer momento pelo empregador.
Essa situação merece uma reflexão. As empresas não podem buscar apenas o cumprimento da lei como forma de evitar problemas ou fugir da fiscalização. Isso explica algumas situações constrangedoras, de busca ativa de deficientes físicos por parte de setores de recursos humanos de empresas, com o único objetivo de evitar problemas com a lei, sem nenhuma adaptação ou preparação para ofertar tal vaga.
É preciso ir além. É fundamental garantir aos deficientes físicos empregos de qualidade, com salários compatíveis e condições de crescer profissionalmente. É possível, sim, adequar as vagas para esse público. São profissionais ávidos por ingressar no mercado de trabalho e que podem dar um grande retorno às empresas. No entanto, é essencial que os postos de trabalham sejam adequados ao tipo de deficiência.
O que as empresas não devem é apenas contratar essas pessoas para cumprir a lei, sem um acolhimento adequado. A existência de vagas não significa que as empresas estão respeitando os direitos e, do mesmo modo, a falta de candidatos não representa exatamente desinteresse. É uma conjunção de fatores que ainda afasta os deficientes físicos do mercado de trabalho.